Israel aprova construção de novas casas de colonos; Netanyahu conversa com Trump

Jerusalém, 22 Jan 2017 (AFP) - Israel relançou neste domingo a colonização, ao aprovar projetos de construção de centenas de casas em Jerusalém Oriental, horas antes de uma conversa por telefone entre Benjamin Netanyahu e Donald Trump, que convidou o premier israelense a visitar Washington em fevereiro.

A informação foi divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro de Israel, depois da primeira conversa telefônica entre os dois líderes.

"A data final será decidida nos dias anteriores à visita", informou o gabinete de Netanyahu, acrescentando que os dois discutiram "o acordo sobre o tema nuclear com o Irã, o processo de paz com os palestinos, e outros assuntos".

Trump disse a jornalistas na Casa Branca que a conversa "foi muito boa", sem dar detalhes.

A prefeitura israelense de Jerusalém deu a aprovação definitiva à construção de 556 casas em três bairros de colonos do leste da cidade, de população majoritariamente árabe, anunciou neste domingo um conselheiro municipal.

Paralelamente, a ala mais dura da direita no poder lançou uma campanha de pressão contra Netanyahu a favor de uma anexação de Maalé Adumim, uma importante colônia da Cisjordânia ocupada.

Segundo um projeto de lei apresentado por dois deputados da maioria parlamentar, Israel anexaria Maale Adumim, assim como um setor que uniria esta colônia a Jerusalém.

Esta decisão dividiria em duas a Cisjordânia e tornaria praticamente impossível a criação de um Estado palestino viável, com continuidade geográfica.

Situada a leste de Jerusalém e criada em 1975, Maalé Adumim é a terceira colônia mais populosa da Cisjordânia.

Em Jerusalém Oriental, a pedido de Netanyahu e à espera da chegada de Trump à Casa Branca, foram congeladas no fim de dezembro as autorizações de construção de casas, explicou à AFP Meir Turjeman, presidente da comissão de construção e planejamento da prefeitura de Jerusalém.

Estas casas seriam construídas agora nos bairros de colonos de Pisgat Zeev, Ramot e Ramat Shlomo, disse.

"As regras do jogo mudaram com a chegada de Donald Trump ao poder. Não temos mais as mãos atadas, como na época de Barack Obama", afirmou Turjeman.

"Estas 566 casas são apenas o tiro de largada. Temos planos para construir 11.000 casas à espera de ser autorizados" nos bairros de colonos de Jerusalém Oriental, acrescentou.

A resposta palestina não demorou a chegar: "a decisão israelense é um desafio ao Conselho de Segurança (da ONU), sobretudo após sua recente votação, na qual afirma o caráter ilegal das colônias", afirmou Nabil Abu Rudeina, porta-voz da presidência palestina.

"Exigimos que o Conselho de Segurança aja em conformidade com esta resolução, para deter o governo extremista israelense que destrói qualquer possibilidade de alcançar uma solução com dois Estados", acrescentou.

O movimento islamita palestino Hamas, inimigo jurado de Israel, também condenou a decisão israelenses, que classificou de "contrária ao direito internacional".

- Negociações sobre o Irã -

O prefeito de Jerusalém, Nir Barkat, também declarou em um comunicado que também serão construídas 105 casas nos bairros palestinos. "Passamos oito anos difíceis com Barack Obama, que pressionava para que as construções fossem congeladas", explicou o prefeito.

Cerca de 430.000 colonos israelenses vivem atualmente na Cisjordânia ocupada e mais de 200.000 em Jerusalém Oriental, que os palestinos desejam que seja a capital do Estado ao qual aspiram.

Para a comunidade internacional, todas as colônias, implantações israelenses em terras ocupadas, são ilegais.

Netanyahu assinalou que a relação com os palestinos seria um dos temas, "juntamente com a situação na Síria e a ameaça iraniana", sobre os quais deveria conversar na noite de hoje com Trump.

Segundo ele, "a prioridade do Estado de Israel é eliminar a ameaça representada pelo acordo nuclear ruim assinado com o Irã".

Antes de chegar à Casa Branca, Trump afirmou que o texto era "um dos piores acordos".

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