Trump enfrenta novas críticas após atacar imprensa dos EUA

Washington, 22 Jan 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump enfrentava críticas neste domingo depois de acusar os meios de comunicação de menosprezarem a quantidade de presentes em sua posse, um dia após milhares de americanos saírem às ruas para protestar contra o novo presidente.

O magnata e seu porta-voz criticaram com veemência no sábado os meios de comunicação, no que foi o primeiro dia completo de Trump como presidente, acusando jornalistas de mentir sobre a estimativa da quantidade de pessoas que compareceram a sua cerimônia de posse.

O ataque foi registrado enquanto mais de dois milhões de pessoas invadiram as cidades americanas em protestos liderados por mulheres que se opõem a Trump, muitas das quais temem que o novo presidente viole os direitos das mulheres, dos imigrantes e das minorias.

A resposta de Trump às manifestações chegou neste domingo, através do Twitter. "Olhei os protestos de ontem, mas tenho a impressão de que recentemente tivemos uma eleição! Por que estas pessoas não votaram?", escreveu o presidente.

Em um segundo tuíte, uma hora mais tarde, Trump declarou que respeitava o direito de se manifestar. "Os protestos pacíficos são uma marca registrada da nossa democracia. Embora nem sempre esteja de acordo, reconheço os direitos das pessoas de expressar suas opiniões".

O tamanho destes grandes protestos, que tiveram eco com muitas marchas-irmãs em diferentes partes do mundo, coloca em evidência o desafio enfrentado pelo astro dos reality shows que agora é o líder da nação mais poderosa do mundo.

De fato, chegou ao Salão Oval com apenas 37% de aprovação. Os novos líderes americanos costumam iniciar seu mandato com uma aprovação acima de 50%, o que coloca Trump, que regularmente comenta sobre sua popularidade e seus índices de aprovação, na defensiva.

- Críticas do chefe da CIA -Segundo os analistas, Trump e seu chefe da imprensa atacaram os meios de comunicação por suas informações sobre a cerimônia de posse como forma de tentar mudar o foco de atenção.

As imagens das enormes manifestações contra Trump transmitidas pelas redes de televisão foram seguidas pelo debate sobre sua "guerra contra a imprensa", algo que costuma agradar seus simpatizantes.

Durante uma visita à sede da Agência Central de Inteligência (CIA), na Virgínia, no sábado, o republicano insistiu, apesar das evidências contrárias, que atraiu 1,5 milhão de pessoas em sua cerimônia de posse de sexta-feira.

"Fiz um discurso. Olhei, o campo estava cheio, parecia que havia um milhão ou um milhão e meio de pessoas", declarou diante dos membros da CIA.

Os meios de comunicação "mostraram uma imagem onde praticamente não havia ninguém", acrescentou.

Seus comentários foram criticados pelo diretor da CIA em fim de mandato, John Brennan, que renunciou na sexta-feira, segundo o jornal The New York Times.

O jornal citou Nick Shapiro, que serviu como chefe de gabinete de Brennan, que disse que este "está profundamente triste e irritado" ante a exibição desprezível de auto-engrandecimento de Donald Trump diante do muro em memória dos heróis caídos da CIA.

"Brennan disse que Trump deveria ter vergonha dele mesmo", acrescentou Shapiro.

O novo secretário de imprensa de Trump, Sean Spicer, foi ainda mais longe no ataque contra a imprensa, utilizando sua primeira conferência na Casa Branca para criticar os jornalistas sentados diante dele por divulgarem "deliberadamente informações falsas" sobre a quantidade de pessoas presentes na sexta-feira.

"Foi a maior audiência que já acompanhou uma posse. Ponto!", declarou o novo porta-voz presidencial. "Estas tentativas de reduzir o entusiasmo da posse são vergonhosas e errôneas".

Spicer abandonou a sala sem responder a perguntas.

Estima-se que 1,8 milhão de pessoas tenham se dirigido ao "National Mall" em 2009 quando Barack Obama prestou juramento pela primeira vez como presidente, segundo as agências locais e nacionais na época.

As autoridades de Washington informaram que esperavam entre 800.000 e 900.000 presentes na cerimônia de Trump, a metade em relação à multidão de 2009.

- Imagens aéreas -Spicer pareceu ansioso para impor novas normas à imprensa, repetidamente criticada por Trump durante a campanha, e que o novo presidente inclusive acusou de dar "notícias falsas".

A intensidade da aparição de Spicer sugere que tanto ele quanto Trump estavam furiosos com a cobertura da cerimônia de sexta-feira.

As autoridades da capital têm como regra não comunicar as estimativas da quantidade de pessoas, para evitar polêmicas. A comparação das fotos aéreas tiradas em 20 de janeiro de 2009 e na última sexta-feira mostram que a posse do republicano reuniu apenas centenas de milhares de pessoas, indiscutivelmente menos que a de Obama.

E as imagens de televisão mostraram claramente que as pessoas não cobriram completamente o espaço até o monumento a Washington, o obelisco do centro da capital, como disse Trump.

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