Trump limita financiamento a ONGs estrangeiras a favor do aborto

Washington, 23 Jan 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira um decreto que impede o financiamento com recursos federais de ONGs estrangeiras que apoiam o aborto.

Trump adotou a medida no dia seguinte ao 44º aniversário da emblemática sentença da Suprema Corte sobre o caso "Roe V. Wade", que legalizou o aborto em 1973 nos Estados Unidos, e dois dias depois de milhões de americanos terem se manifestado por seus direitos.

"As mulheres mais vulneráveis do mundo vão sofrer com essa política, que mina anos de esforços a favor da saúde das mulheres", reagiu Cecile Richards, presidente da Planned Parenthood, a maior rede de planejamento familiar dos Estados Unidos.

"Isto vai provocar fechamentos de clínicas no mundo inteiro e um aumento das gestações indesejadas e de abortos perigosos", advertiu, fazendo um apelo ao "combate".

O decreto assinado por Donald Trump "representa uma agressão à saúde das mulheres", avaliou a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU).

Conhecida também como "Mexico City Policy" por ter sido anunciada durante a presidência do republicano Ronald Reagan na conferência internacional das Nações Unidas sobre a população, celebrada na capital mexicana em 1984, a medida reimplantada por Donald Trump prevê que os recursos federais de ajuda internacional não possam ser atribuídos a ONGs estrangeiras que praticam o aborto ou militam por sua legalização.

A restrição havia sido anulada pelo democrata Bill Clinton (1993-2001), restituída pelo republicano George W. Bush (2001-2009) e novamente anulada por seu sucessor, Barack Obama (2009-2017).

Incentivados pela vitória de Donald Trump, em 8 de novembro passado, os críticos ao aborto nos Estados Unidos se mobilizaram e adotaram no mês passado nos estados que governam medidas antiaborto duras e questionadas.

O novo presidente apressou-se em nomear ao Supremo Tribunal um juiz ferozmente contrário ao aborto, destacando que esta nova relação de poder na alta jurisdição poderia desembocar "automaticamente" na anulação da sentença do caso "Roe v. Wade", que legalizou o aborto nos Estados Unidos em 1973.

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