Rebeldes e regime sírio próximos de 'declaração final' em Astana

Astana, Cazaquistão, 24 Jan 2017 (AFP) - Os rebeldes sírios e os emissários de Bashar al-Assad se preparavam nesta terça-feira para adotar uma "declaração final" após dois dias de negociações em Astana, capital do Cazaquistão, centradas em reforçar um frágil cessar-fogo.

Esta declaração final, se for divulgada, não será, no entanto, assinada pelas duas delegações, mas simplesmente apresentada pelos padrinhos da reunião, Rússia e Turquia, e possivelmente Irã.

Um porta-voz rebelde, Yehya al Aridi, disse que esta "declaração geral" dos padrinhos "não estava destinada a ser assinada pelas partes".

O governo sírio e os rebeldes se reuniram na tarde desta terça-feira no hotel Rixos de Astana para um segundo dia de negociações indiretas. Efetivamente, as duas partes estão em salas separadas, e trabalham com a ajuda de um mediador, embora tenham sentado ao redor da mesma mesa na segunda-feira na cerimônia de abertura.

"Estamos próximos de uma declaração final. Há discussões muito intensas, já que não se trata de um simples documento, e sim de um cessar-fogo, há vidas sírias em jogo", declarou o enviado especial da ONU, Staffan de Mistura.

Disse que o documento se referiria à criação de mecanismos de vigilância e consolidação do cessar-fogo instaurado no dia 30 de dezembro, e que levou a uma redução dos confrontos, embora ele seja violado regularmente.

Estas negociações são realizadas em um novo contexto na Síria, após a decisiva intervenção militar russa em apoio ao regime e à progressiva perda de influência de Washington.

- Violações -O chefe da delegação rebelde, Mohamad Alluche, insistiu em "congelar as operações militares" e em melhorar o acesso da população civil à ajuda humanitária.

Os rebeldes também pedem a suspensão das hostilidades em Wadi Barada, zona chave para o fornecimento de água a Damasco, onde ainda foram travados combates na noite de domingo.

"O principal obstáculo ao êxito das negociações são as reiteradas violações (da trégua) e a ameaça de deslocamentos forçados em certas zonas", afirmou nesta terça-feira à AFP um porta-voz rebelde, Osama Abu Zeid.

O chefe da delegação de Damasco, o experiente Bashar Jaafari, insistiu, por sua vez, na criação de um "processo político" para resolver o conflito e que os rebeldes se somem à luta contra os extremistas da organização Estado Islâmico (EI) e Fatah al Sham (ex-Frente al Nosra, Al Qaeda na Síria).

Os dois grupos também se opõem sobre o papel dos padrinhos da negociação.

Um membro da delegação rebelde declarou na segunda-feira à AFP que seu grupo estava de acordo que a Rússia - apesar de seu apoio a Assad - fosse um dos fiadores da trégua, mas não o Irã, outro aliado de Damasco, cujas milícias combatem junto às tropas do regime.

Os emissários do regime, por sua vez, disseram que se negariam a manter negociações de alto nível com a Turquia, que apoiou os rebeldes, ou a assinar um documento final que leve a assinatura de um responsável turco.

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