Incêndios deixam sete mortos e povoados arrasados no Chile

Santiago, 26 Jan 2017 (AFP) - Incêndios violentos que avançavam nesta quinta-feira pelo centro e sul do Chile deixavam sete mortos, milhares de evacuados e povoados totalmente arrasados, na maior catástrofe florestal da história do país.

Os incêndios devoraram cerca de 240.000 hectares em sete regiões do país, provocando uma tragédia sem precedentes que deixou um saldo de sete mortos, segundo um último relatório divulgado pela presidente Michelle Bachelet.

Os falecidos são um bombeiro voluntário, dois policiais, três brigadistas (bombeiros florestais) e um agricultor, desde o início destes incêndios, há pouco mais de uma semana, classificados por Bachelet como a pior catástrofe florestal da história do país.

No Chile, todos os bombeiros são voluntários, exceto os florestais.

Na madrugada desta quinta-feira, o fogo atingiu a localidade rural de Santa Olga, e outros pequenos povoados da região do Maule (280 km ao sul de Santiago), as primeiras comunidades a ficar totalmente destruídas pelas chamas.

Devido a esta emergência, 4.000 pessoas foram evacuadas por bombeiros e policiais, cerca de 80% da população total, enquanto os incêndios mantêm seu avanço descontrolado ameaçando dezenas de povoados rurais em ao menos três regiões do país.

"Lamentavelmente, o fogo chegou a lugares como o povoado Santa Olga. Felizmente, foi possível evacuar todas as pessoas e não temos perdas a lamentar, salvo as perdas materiais", informou a presidente Michelle Bachelet, em uma coletiva de imprensa.

O número de incêndios ativos duplicou, alcançando 64 em menos de 24 horas, enquanto 30 incidentes foram controlados e cinco extintos, segundo o último relatório do Escritório Nacional de Estatísticas (Onemi).

Estes poderosos incêndios ainda não atingiram cidades grandes, e só afetaram povoados rurais onde vivem, em sua maioria, agricultores e criadores de gado. As grandes empresas florestais também foram afetadas, principalmente na região do Maulle, onde o fogo consumiu mais de 160.000 hectares, muitos deles de pinheiros e eucaliptos.

Os incêndios avançaram até a região do Biobio, 550 km ao sul de Santiago, onde a presidente Bachelet decretou estado de exceção constitucional.

As regiões de O'Higgins e do Maule também se encontram nesta condição.

- Ajuda internacional -Mais de 4.000 pessoas, entre bombeiros, brigadistas, carabineiros, detetives, funcionários públicos, militares e civis, trabalham nas operações para sufocar o fogo.

A eles se somou a ajuda procedente do exterior, entre eles especialistas franceses no combate ao fogo e brigadistas colombianos que chegaram ao Chile nesta quinta-feira.

"Agradecemos à Colômbia por esta solidariedade. Nos comunicamos com outros países: Uruguai, Argentina, Peru, Estados Unidos, Suécia e Canadá também nos ofereceram colaboração", disse o chanceler chileno, Heraldo Muñoz, que participa da Cúpula da CELAC em Santo Domingo, substituindo a presidente Bachelet, que desistiu devido aos incêndios.

Espera-se que um grupo de voluntários mexicanos também chegue ao Chile no sábado para colaborar.

Enquanto isso, o avião Supertrank, com capacidade para mais de 73.000 litros de água e fretado por uma fundação privada americana, iniciava seu segundo dia de trabalho para extinguir as chamas nas zonas mais atingidas.

- Clima extremo -As condições meteorológicas para esta quinta-feira continuarão sendo extremas na zona centro-sul do país, com fortes ventos e altas temperaturas, que contribuíram para o avanço dos incêndios.

Nas zonas afetadas são esperadas temperaturas superiores a 38 graus, devido a uma onda de calor que atinge por mais de 10 dias o centro e o sul do país.

Com 37,4ºC, Santiago registrou na quarta-feira um recorde histórico.

Sobre a capital chilena, uma das mais poluídas da região, as condições do ar pioraram devido à nuvem de fumaça lançada pelos incêndios.

Existem 19 alertas vermelhos e três amarelos em outras comunidades do centro-sul do país.

msa-af/sgf/ma

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