Trump suspende entrada de refugiados para evitar "islâmicos radicais"

Washington, 28 Jan 2017 (AFP) - O presidente Donald Trump suspendeu na sexta-feira por decreto a entrada de refugiados nos Estados Unidos e adotou novos obstáculos para viajantes procedentes de sete países muçulmanos, com o objetivo de evitar a entrada de "terroristas islâmicos radicais".

Para cumprir outra promessa eleitoral, Trump anunciou um mecanismo de "controle extremo" para "manter os terroristas islâmicos radicais fora dos Estados Unidos".

Os Estados Unidos receberão apenas "quem apoia nosso país e quem ama nosso povo". afirmou durante a cerimônia de posse de James Mattis como secretário de Defesa no Pentágono.

A medida suspende totalmente o programa americano de recepção de refugiados durante pelo menos 120 dias, enquanto é definido o futuro sistema de verificação de vistos.

Os novos protocolos devem "garantir que os aprovados como refugiados não representarão uma ameaça à segurança ou bem-estar dos Estados Unidos".

Além disso, as ordens executivas também proíbem de maneira específica a entrada de refugiados sírios por tempo indeterminado ou até que o presidente decida que não representam um perigo para o país.

Para completar, o país não concederá vistos durante 90 dias a migrantes ou turistas procedentes do Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

Apenas no ano fiscal de 2016 (1º de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016), os Estados Unidos do presidente Barack Obama receberam 84.994 refugiados, sendo mais de 10 mil sírios.

Durante a reforma do sistema de vistos, algumas exceções devem ser aceitas para "minorias religiosas", com o objetivo de favorecer principalmente os cristãos.

- Apelo da ONU -Em uma declaração conjunta em Genebra, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) fizeram um apelo para que os Estados Unidos prossigam com a tradição de receber refugiados.

"A OIM e o ACNUR esperam que os Estados Unidos continuem desempenhando seu papel importante de líder e prossigam com sua longa tradição de proteção aos que fogem dos conflitos e das perseguições", afirma o comunicado.

"Estamos profundamente convencidos de que os refugiados devem receber un tratamento equitativo e oportunidades de reassentamento, independente de sua religião, nacionalidade ou raça", completa a nota.

Outros defensores dos direitos humanos e organizações de proteção aos refugiados também condenaram a decisão de Trump.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai, vencedora do Prêmio Nobel da Paz e vítima de um atentado executado pelos talibãs em 2012, afirmou que a medida fecha portas.

"Estou com o coração partido porque hoje (sexta-feira) o presidente Trump está fechando as portas para crianças, mães e pais que fogem da violência e da guerra", afirmou em um comunicado.

O diretor executivo da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), Anthony Romero, destacou que o "controle extremo é apenas um eufemismo para discriminar os muçulmanos".

Ahmed Rehab, diretor em Chicago do grupo Conselho de Relações Islâmico-Americanas, disse à AFP que o decreto "afeta pessoas com base apenas em sua fé religiosa e origem nacional, e não por seu caráter".

A organização não descarta a possibilidade de combater o decreto com processos na justiça.

Mas a notícia foi aplaudida pelo presidente da Câmara de Representantes, Paul Ryan, um peso pesado do Partido Republicano, que destacou que "é tempo de reavaliar e reforçar o processo de verificação de vistos".

O presidente iraniano, Hasan Rohani, criticou, sem citar o nome, Donald Trump ao afirmar que esta "não é uma época para construir muros", depois que o presidente americano assinou um decreto para iniciar a construção de um muro na fronteira com o México.

"Temos que suprimir os muros entre os povos. O mundo de hoje não é um mundo no qual se reforçam as diferenças entre as nações", disse o iraniano.

- "Reconstruir um gigante" -Ao mesmo tempo, o presidente americano assinou um decreto que estabelece as bases para uma "grande reconstrução" do aparato militar.

"Nosso poderio militar não será questionado por ninguém, assim como não será questionada nossa dedicação à paz. Nós queremos a paz", completou.

O decreto determina que o secretário Mattis tem o prazo de 30 dias para revisar a situação geral das Forças Armadas e apresentar à Casa Branca uma lista de recomendações para melhorar estas condições.

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