Socialistas franceses escolhem candidato à Presidência em meio a polêmicas

Paris, 29 Jan 2017 (AFP) - Os socialistas franceses escolhem neste domingo seu candidato para as eleições presidenciais de abril entre o favorito, Benoît Hamon, e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, em uma campanha ofuscada pela polêmica que atinge o candidato da direita François Fillon.

Às 14H00 de Brasília (16H00 GMT), duas horas antes do encerramento da votação, a eleição havia mobilizado 1.306.852 votantes em 75% dos colégios eleitorais, um aumento de 22% em relação ao primeiro turno, no domingo passado, informou o comitê organizador do Partido Socialista (PS).

Valls, um político de origem espanhola de 54 anos que faz valer sua experiência de governo no contexto de ameaças extremistas na França, tentou nesta semana diminuir a distância se apresentando como o candidato "responsável" em relação a seu adversário, de 49 anos, cujo programa com um forte conteúdo social foi tachado como "utópico".

Estes ataques, segundo analistas, agravam a visível ruptura entre duas correntes dentro do Partido Socialista (PS), que vive uma situação delicada, desgastado pelo polêmico mandato do atual presidente, François Hollande, que não quis tentar a reeleição.

Em Paris, Annick Descamps votou em Hamon porque ele "tem princípios de cidadania, solidariedade e divisão de riquezas (...). Sempre precisamos de sonhos e um projeto para realizá-los", disse a arquiteta de 60 anos.

Marie-France, aposentada de 77 anos, votou em Rennes (oeste) por Valls, já que "tem mais chances na eleição presidencial", apesar "de tantas mudanças (no panorama político) que nos deixa, realmente, na incerteza", acrescentou.

O vencedor destas primárias terá três meses para impulsionar sua campanha, pois todas as pesquisas mostram que nenhum dos dois passaria para o segundo turno, ficando cada vez mais distantes da candidata de ultra-direita Marine Le Pen - que ganhou mais força após a vitória de Donald Trump - e do conservador François Fillon.

Além disso, o candidato socialista também seria superado por dois dissidentes socialistas: o ex-ministro de Hollande, Emmanuel Macron, um rosto novo na política francesa que atrai milhares de pessoas em seus comícios, e o líder da ultra-esquerda, Jean-Luc Mélenchon.

Entretanto, a campanha de Fillon, que parecia ter mais chances de chegar à presidência de acordo com as pesquisas, sofreu nesta semana um duro golpe diante das suspeitas de que teria empregado a própria esposa como funcionária fantasma, o que lhe teria rendido meio milhão de euros.

Uma pesquisa da empresa Odoxa publicada na sexta-feira revelou que, após este escândalo, apenas 38% dos franceses tinha uma opinião positiva sobre Fillon, quatro pontos a menos que no início do mês.

"Nada está definido"O segundo turno das primárias se anuncia como um choque entre duas facetas do socialismo francês, um partido profundamente dividido entre uma linha descrita como "utópica" e outra "hiper-realista".

"Está claro que Benoît Hamon parte neste segundo turno como o grande favorito, os eleitores extremamente críticos com a gestão do presidente querem sancionar a ação conjunta de Valls e Hollande", assinalou à AFP o cientista político Jérôme Sainte-Marie.

"A vitória está a nosso alcance", declarou Hamon na sexta-feira em seu último comício, em Lille. Hamon, que durante um curto espaço de tempo foi ministro da Educação de Valls, foi a revelação desta campanha com um programa social e ecologista que seduz, sobretudo, os mais jovens.

Liderou contra todos os prognósticos o primeiro turno das primárias com 36% dos votos, quase cinco pontos a mais que Valls, e recebeu o apoio do terceiro candidato mais votado, o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg (17,5%).

A participação do povo será fundamental nesta votação após as fracas cifras do primeiro turno em que apenas 1,6 milhão de pessoas - um milhão a menos que nas primárias de 2011 - foram às urnas.

Os franceses escolherão um novo chefe de Estado para os próximos cinco anos em dois turnos - 23 de abril e 7 de maio.

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