Eike Batista é preso por corrupção em sua volta ao Brasil

Rio de Janeiro, 30 Jan 2017 (AFP) - O empresário Eike Batista, que já ostentou o título de homem mais rico do Brasil, foi detido no Rio de Janeiro nesta segunda-feira (30), sob acusação de corrupção, imediatamente após aterrissar no Aeroporto Internacional Tom Jobim a bordo de um voo regular procedente de Nova York.

Incluído desde quinta-feira passada (26) na lista vermelha de captura da Interpol, Eike Batista, de 60 anos, havia prometido se entregar e era esperado por policiais na porta da aeronave da American Airlines. Eike viajou na classe executiva.

O ex-magnata, que viu seus negócios naufragarem nos últimos anos, foi conduzido ao presídio Ary Franco, após exame no Instituto Médico Legal (IML).

Pouco depois, o empresário foi transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste da cidade. Por não ter diploma universitário, Eike não ficou no mesmo pavilhão de outros presos envolvidos na operação Lava Jato - entre eles o ex-governador do Rio Sérgio Cabral.

Imagens da Rede Globo mostraram Eike Batista sendo transferido em um veículo policial, já sem cabelo e com uma camiseta branca do uniforme do sistema penitenciário.

Na sexta-feira (27), a defesa do empresário havia pedido à Justiça Federal que seu cliente não fosse misturado com presos comuns, alertando sobre a violência que tomou conta dos presídios brasileiros pelas disputas entre facções rivais.

Eike Batista tem "notória visibilidade no país, de forma que seu encarceramento deste modo, em estabelecimento penal em conjunto com diversas pessoas com conhecimento de sua então vida social e financeira, coloca sua integridade física em risco e torna iminente a ameaça à sua vida", disse a defesa no documento ao qual o jornal Folha de S. Paulo teve acesso.

- Subornos milionários -A Polícia tentou sem sucesso detê-lo em sua mansão no Rio de Janeiro na última quinta-feira, no âmbito da Operação Eficiência, derivada da investigação Lava Jato. O empresário havia deixado o Brasil dias antes.

A defesa informou que seu cliente estava em Nova York a trabalho e que voltaria para se entregar, mas as autoridades consideraram-no foragido e pediram ajuda da Interpol para capturá-lo.

Eike Batista é suspeito de ter pago US$ 16,5 milhões ao então governador do Rio Sérgio Cabral por uma operação que nunca existiu de compra e venda de uma mina de ouro.

Considerado em 2012 pela revista Forbes como a sétima fortuna do mundo - de mais de US$ 30 bilhões à época -, o empresário disse antes de embarcar no aeroporto JFK de Nova York que voltava ao Brasil para se entregar, com a intenção "de ajudar a passar as coisas a limpo".

Resta saber se seu depoimento vai esclarecer os negócios, a falência e os cúmplices dessa excêntrica figura, amante da velocidade e das lanchas, que chegou a simbolizar o entusiasmo que Brasil o despertava no mundo todo durante a primeira década do século XXI.

A prisão de Eike Batista acontece no mesmo dia em que a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, homologou as confissões de 77 ex-executivos da construtora Odebrecht sobre a rede de subornos da Petrobras, com um potencial explosivo.

Na prática, a medida incorpora o expediente de todos os testemunhos que detalham o pagamento de propinas de empresários a funcionários públicos e operadores políticos de primeiro plano para obter contratos na Petrobras, ou para aprovar legislações favoráveis a seus negócios e interesses.

As confissões ainda são mantidas em sigilo, mas sua homologação aponta a determinação da ministra Cármen Lúcia de manter vivo o caso após a morte do juiz Teori Zavasvki.

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