Especialistas confirmam colaboração de Walesa com a polícia secreta comunista

Varsóvia, 31 Jan 2017 (AFP) - O ex-líder histórico do sindicato Solidariedade, Lech Walesa, colaborou com a polícia política comunista no início dos anos 1970, afirmaram nesta terça-feira os diretores do Instituto Polonês para a Memória Nacional (IPN), que citaram, entre outras provas, análises grafológicas.

O ex-presidente do país, agora com 73 anos, já havia sido acusado em várias ocasiões pela colaboração, mas sempre negou as suspeitas, como fez na semana passada, quando os resultados das análises vazaram para a imprensa.

Nesta terça-feira, Walesa está na Colômbia, onde participará de uma reunião de vencedores do Prêmio Nobel em Bogotá. Ele não quis comentar as afirmações do IPN

Mas o advogado do ex-presidente, Jan Widacki, afirmou ao canal Polsat News que "o caso não está encerrado" e que pode pedir uma nova análise grafológica.

O procurador-geral adjunto, Andrzej Pozorski, diretor da Comissão de Crimes contra a Nação, que integra o IPN, disse em uma entrevista coletiva que a colaboração de Walesa com a polícia secreta polonesa SB "não deixa dúvidas".

Pozorski citou vários documentos manuscritos atribuídos ao ex-presidente, incluindo o acordo de colaboração assinado com seu nome e seu codinome "Bolek", além de 17 recibos de pagamentos feitos a "Bolek" pelo SB.

O procurador-geral adjunto declarou que a autenticidade dos documentos foi comprovada pelos especialistas do Instituto de Análise Judicial de Cracóvia, que os compararam com vários documentos manuscritos de Lech Walesa obtidos nos arquivos oficiais: pedidos de passaporte, carteira de identidade ou de motorista.

Lech Walesa havia se recusado a fornecer aos investigadores mostras de sua escrita.

Papel históricoPor sua vez, o presidente do IPN, Jaroslaw Szarek, afirmou que a existência dos documentos pode ter influenciado algumas decisões de Walesa após a queda do comunismo, inclusive quando foi presidente da Polônia, entre 1990 e 1995.

"Esta questão continua em aberto", afirmou.

Szarek destacou, no entanto, que o IPN "não tem a intenção de apagar Walesa da história da Polônia".

Frente a recente onda de suspeitas, partidários de Walesa, mas também historiadores, como os professores Andrzej Paczkowski e Jan Zaryn, e até mesmo alguns de seus adversários, afirmaram que as acusações não diminuem em nada seu papel histórico.

Em 2000, um tribunal especial declarou Walesa inocente de qualquer colaboração com a polícia política. Segundo a lei, o prazo legal para contestar esta decisão era de dez anos. Portanto, esta investigação não pode ser reaberta - a menos que o interessado faça a demanda.

Mas o caso retornou ao noticiário em fevereiro de 2016, após a apreensão por investigadores do IPN do arquivo pessoal de "Bolek" na casa do ex-ministro comunista do Interior, o general Czeslaw Kiszczak.

Como Walesa negou a autenticidade dos documentos do dossiê, o IPN abriu uma investigação sobre a hipotética falsificação por agentes da SB.

Após o suicídio em 8 de janeiro de um de seus quatro filhos, Przemyslaw, 43 anos, Lech Walesa atribuiu o gesto à campanha contra ele.

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