EUA abrem nova frente de batalha comercial, agora contra Alemanha

Washington, 1 Fev 2017 (AFP) - O governo Donald Trump abriu sua nova frente de batalha, nesta terça-feira (31), ao acusar a Alemanha de aproveitar a depreciação do euro para ter vantagens comerciais.

O presidente do novo Conselho Nacional de Comércio da Casa Branca, Peter Navarro, disse ao jornal Financial Times (FT) que a Alemanha "continua explorando outros países da UE e dos Estados Unidos com um 'implícito marco alemão' (a antiga moeda alemã) que está muito subvalorizado".

Pouco depois, o próprio Trump afirmou que os Estados Unidos deveriam usar a desvalorização da moeda como ferramenta comercial.

"Nosso país maneja tão mal que não sabemos nada sobre desvalorização", disse o mandatário a executivos do setor farmacêutico recebidos na Casa Branca.

"Veem o que a China faz e o que o Japão vem fazendo há anos e advertem que jogam moeda no mercado e a desvalorização, enquanto nós estamos sentados como bobos", acrescentou.

Em sua campanha eleitoral, Trump ameaçou várias vezes tomar medidas contra a China, acusada de manipular sua moeda para poder produzir e exportar mais do que seus competidores.

Economistas alertaram que isso mudou há muito tempo.

Durante anos, a China foi acusada de intervir nos mercados cambiais e comprar bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos Estados Unidos para, assim, desvalorizar sua moeda.

Segundo os economistas, isso mudou nos últimos anos, porém, porque as condições econômicas desvalorizaram o iuane, e o Banco Central da China precisou intervir várias vezes para evitar que a moeda se desvalorize ainda mais.

- 'Sérios riscos' ao comércio -As críticas à Alemanha não são novas. O país tem grandes superávits comerciais e de conta corrente e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) pediu a Berlim que gaste mais para estimular o fraco consumo e o crescimento da União Europeia.

A Alemanha é uma potência exportadora e tem vantagens por integrar a zona do euro, onde o valor da moeda única é mantido muito baixo, devido às dificuldades de vários de seus países-membros, como Grécia e Itália.

Se a Alemanha estivesse fora da união monetária, o valor de sua moeda nacional (o marco alemão) seria mais alto e, em consequência, seria menos competitiva no comércio mundial.

No entanto, é raro que essas divergências apareçam nos jornais, ficando restritas aos encontros a portas fechadas.

O ministro francês das Finanças, Michel Sapin, respondeu à Casa Branca, afirmando que "as decisões da nova administração dos Estados Unidos implicam um sério risco para a ordem comercial mundial".

"A história nos lembra que retroceder para o protecionismo é a pior das soluções", advertiu Sapin, acrescentando que nem a França nem a Europa "poderão assistir sem fazer nada ao que seria um risco para as instituições econômicas".

Em Estocolmo, a chanceler alemã, Angela Merkel, declarou que o valor do euro é responsabilidade exclusiva do Banco Central Europeu (BCE), que tem autonomia.

"Não temos influência nas decisões do BCE. De modo que eu não posso, nem quero mudar nada", completou Merkel.

Para Navarro, também está morto o projetado acordo de livre-comércio entre Estados Unidos e a União Europeia.

Convergindo com os pronunciamentos de Trump, Navarro disse também que a Casa Branca buscará acordos bilaterais que beneficiem os Estados Unidos. Além disso, insistiu em que Washington se dedicará ao retorno das fábricas ao país.

Os Estados Unidos tiveram um déficit comercial de 60 bilhões de dólares nos primeiros 11 meses do ano passado, uma quantidade quase idêntica à de seu déficit com o México. Com toda a UE, o déficit foi de 134 bilhões de dólares.

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