Mortes entre as forças afegãs aumentaram 35% em 2016

Washington, 1 Fev 2017 (AFP) - A taxa de mortes entre as forças de segurança afegãs aumentou 35% em 2016 em relação ao ano anterior, enquanto o controle do governo de Cabul sobre o país diminuiu de forma significativa, indicou nesta quarta-feira um relatório do governo americano.

Segundo o Inspetor Especial Geral para a Reconstrução do Afeganistão (Sigar), um total de 6.785 soldados e policiais afegãos foram mortos entre 1º de janeiro e 12 de novembro de 2016, enquanto foram registrados 11.777 feridos.

Em 2015, 5.000 integrantes das forças de segurança afegãs morreram.

A nova estatística apresenta o panorama de uma nação cercada por uma crise de segurança, apesar dos anos e de bilhões de dólares gastos para construir o Exército e a Polícia do Afeganistão.

"Estamos muito preocupados", afirmou nesta quarta-feira o general Charles Cleveland, porta-voz da missão da Otan Apoio Resoluto, que lamentou "a debilidade dos chefes" militares e "a corrupção, embora muitos responsáveis tenham sido substituídos em todos os níveis".

"Vemos progressos, mas serão necessários anos. Apesar de tudo, o Exército afegão segue se mostrando resiliente e alcançou os principais objetivos que foram fixados", como "a proteção dos centros urbanos", contou o general à AFP.

As forças afegãs tomaram das mãos da Otan em 2015 a tarefa de garantir a segurança do país.

Seu primeiro ano foi bastante desastroso, e o ponto mais baixo foi quando Kunduz, capital da região norte, foi brevemente capturada pelos talibãs.

Os Estados Unidos e a Otan esperavam que os afegãos tivessem um melhor desempenho em 2016, mas claramente a situação continua sendo perigosa.

No entanto, o Pentágono insiste que as Forças Afegãs de Defesa e Segurança Nacional (ANDSF) estão melhorando e aponta esforços bem-sucedidos para repelir ataques talibãs nas capitais regionais.

A maioria das mortes nas fileiras das ANDSF obedeceram a ataques com "fogo direto", o que significa que as tropas locais foram diretamente atacadas pelos talibãs e outros grupos insurgentes, e não como consequência de bombas ou minas nos caminhos.

Além da alta taxa de mortes entre os militares, o relatório constata um aumento no número de distritos afegãos sob controle ou influência insurgente.

As forças americanas no Afeganistão informaram que 57,2% dos 407 distritos do país estavam, em 15 de novembro de 2016, sob controle ou influência do governo afegão, indica o documento.

Isso representa uma queda de 6,2% em relação aos 63,4% reportados no fim de agosto, e um retrocesso de quase 15% desde novembro de 2015.

Um observador ocidental que viveu durante anos no Afeganistão disse à AFP que as províncias sob controle dos talibãs podem posteriormente se separar das que estão na esfera do governo de Cabul.

"Todos aqui pensam que este país entrará em colapso em dois ou três anos", disse.

O relatório de Sigar também constatou que as mortes de civis permanecem altas.

Segundo um relatório da ONU, ocorreram 8.397 mortes civis relacionadas ao conflito entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2016, uma leve queda em relação ao mesmo período de 2015.

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