São Francisco processa Trump por discriminar 'cidades santuário'

Los Angeles, 1 Fev 2017 (AFP) - São Francisco apresentou nesta terça-feira (31) uma ação contra o presidente Donald Trump por sua decisão de barrar recursos federais para as "cidades santuário", assim chamadas por serem receptivas a imigrantes.

"O decreto do presidente não é apenas inconstitucional, é antiamericano", criticou o advogado que representa a cidade californiana, Dennis Herrera, ao anunciar a ação movida em um tribunal federal.

"Temos de enfrentar e nos opor a esse decreto. Somos uma nação de imigrantes e um país de leis. Temos de ser os 'guardiães da nossa democracia', como instou o presidente (Barack) Obama em seu discurso de despedida", acrescentou.

A inédita ação desafia a ordem executiva emitida por Trump na semana passada, ordenando a contenção dos recursos federais para cidades americanas que protegem imigrantes em situação ilegal.

As "cidades santuário" se negam a cooperar com as forças federais na aplicação das leis de imigração. Em todo o país, são cerca de 300.

Segundo Herrera, com pelo menos 30 mil moradores em situação ilegal, São Francisco recebe mais de US$ 1,2 bilhão ao ano em verba do governo federal. A maioria é destinada à Saúde e a outros programas sociais federais.

"Essa ação não é um passo que damos de forma leviana", afirmou.

"É necessário para defender as pessoas dessa cidade, desse estado e desse país da extrapolação selvagem de um presidente, cujas palavras e ações até agora demonstraram muito pouco respeito por nossa Constituição, ou pelo estado de direito", avaliou.

Em Miami, líderes comunitários e representantes de organizações de direitos humanos foram às ruas nesta terça desafiar a decisão do prefeito local, o republicano Carlos Giménez, de obedecer ao decreto de Trump e deixar de proteger os imigrantes.

No centro da cidade, pelo menos 200 manifestantes exigiram de Giménez que devolva ao condado de Miami-Dade o status de "santuário". Também protestaram contra a decisão de Trump de limitar o ingresso de refugiados muçulmanos no país.

Membros de uma coalizão de sindicatos e de organizações de defesa de imigrantes, hispânicos, muçulmanos e judeus levavam cartazes com frases como "Giménez você é uma desgraça" e "Nenhum ser humano é ilegal".

O advogado Khurrum Wahid, que copreside a ONG de defesa dos muçulmanos Emerge USA, disse à AFP que cerca de dez organizações entrarão na Justiça contra a decisão anunciada pelo prefeito na última quinta-feira (26). Entre os demandantes, estão instituições de envergadura nacional, como a gigante ACLU e a Southern Poverty Law Center, que monitora a emergência de grupos de ódio no país.

A maioria das grandes "cidades santuário" - como Los Angeles e Nova York - desafiou Trump, enquanto Miami acatou rapidamente a ordem executiva presidencial.

Segundo o Migration Policy Institute, a Flórida conta com algo em torno de 650 mil imigrantes em situação clandestina. É o quarto estado com maior número de pessoas nessa situação, atrás de Califórnia (mais de 3 milhões), Texas (1,5 milhão) e Nova York (870 mil).

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