Senado confirma nomeação de Rex Tillerson como secretário de Estado

Washington, 1 Fev 2017 (AFP) - O Senado dos Estados Unidos confirmou por maioria simples, nesta quarta-feira (1º), o empresário do setor do petróleo Rex Tillerson, de 64, como novo secretário de Estado.

Ex-CEO da ExxonMobil, Tillerson assume o controle da enorme máquina diplomática americana, substituindo John Kerry, que deixou o cargo em 19 de janeiro, véspera da posse de Donald Trump. Interinamente, o posto foi ocupado por Thomas Shannon, que era o diretor de Assuntos Políticos da pasta.

Ele foi confirmado por 56 votos contra 43, com quatro democratas se unindo a todos os 52 republicanos que se pronunciaram a favor.

O presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker, felicitou Tillerson por sua confirmação como secretário de Estado.

"O senhor Tillerson dirigiu uma empresa global com 75.000 empregados, possui profundas relações em todo o mundo e entende o papel fundamental da liderança americana", afirmou Corker.

Em nota, o presidente da Comissão de Relações Internacionais da Câmara de Representantes, Ed Royce, manifestou sua satisfação com a confirmação de Tillerson, definindo-o como um "gerente".

"Ter um gerente de nível internacional no Departamento de Estado será um enorme capital, porque precisa de uma reforma sob todos os aspectos", afirmou Royce.

Esse era um dos mais importantes cargos do gabinete de Trump à espera de confirmação pelo Senado, já que o secretário de Estado é o quinto na linha de sucessão da Casa Branca em caso de ausência das demais autoridades.

Outros três secretários já foram confirmados (Defesa, Segurança Interna e Transportes), além do diretor da CIA e da embaixadora dos EUA nas Nações Unidas.

Engenheiro de formação, Tillerson entrou na ExxonMobil em 1975 e passou por todas as funções até chegar ao cargo máximo em 2006.

Milionário sem experiência diplomática, ele tem excelentes vínculos com autoridades do governo russo, o que facilitou a expansão dos contratos da ExxonMobil na Rússia. Tillerson desenvolveu uma amizade pessoal com o presidente Vladimir Putin, por quem foi condecorado com a Medalha da Ordem da Amizade.

Departamento divididoTillerson assuma um Departamento de Estado visivelmente dividido após o decreto assinado na última sexta-feira (27) pelo presidente Trump e que estabelece uma nova e rígida política para refugiados e imigrantes.

O decreto de Trump suspende por 120 dias a entrada de refugiados - exceto para os refugiados procedentes da Síria, para os quais o prazo é indefinido - e por 90 dias o ingresso de cidadãos de Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen, países de maioria muçulmana.

A medida deflagrou protestos em massa em todo o país e uma onda de indignação ao redor do mundo, que encontrou eco nos mais diversos organismos americanos.

Um número não revelado de diplomatas e de funcionários da pasta preparou um documento distribuído internamente no Departamento de Estado, discordando da nova política manifesta no decreto assinado por Trump.

O Departamento de Estado possui um mecanismo formal, chamado "Canal de Dissenso", pelo qual diplomatas podem registrar seu incômodo diante do impacto que uma decisão oficial possa ter na Política Externa do país.

Já no início desta semana, quando se tornou público que o documento - de conteúdo reservado - estava circulando, a Casa Branca mandou uma mensagem que não deixou dúvidas: o presidente Trump espera que os diplomatas cumpram as instruções, ou busquem outro emprego.

"Esses burocratas de carreira têm problemas com isso? Considero que devem seguir o programa, ou sair. Isso se refere à segurança dos Estados Unidos", declarou o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer.

Na opinião do porta-voz da Presidência, "a maioria dos americanos está de acordo com o presidente" sobre a necessidade de manter o país seguro.

Amizades na RússiaA falta de experiência de Tillerson na diplomacia não é vista como um problema tão grave quanto sua proximidade com o governo russo, tradicional adversário de Washington.

Quando foi nomeado por Trump para o Departamento de Estado, as relações de Tillerson com a Rússia se tornaram o ponto central de uma enorme polêmica pelo suposto papel russo nas eleições presidenciais de novembro.

Diferentes agências da comunidade de Inteligência americana acusam a Rússia de invadir os e-mails da adversária de Trump, Hillary Clinton, e de outras lideranças democratas na tentativa de intervir no processo eleitoral.

Em uma audiência de nove horas, durante a qual foi sabatinado pelos senadores, Tillerson procurou se distanciar dessa visão e afirmou que a "Rússia representa um grande perigo" para os Estados Unidos.

Na sessão, Rex Tillerson condenou o fato de Moscou ter "invadido a Ucrânia, incluindo a tomada da Crimeia, e de ter apoiado as forças sírias que brutalmente violam as leis da guerra". Declarou ainda que os aliados americanos na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "têm razão de ficarem alarmados".

Ele se negou, porém, a afirmar se daria apoio às sanções - novas, ou vigentes - contra a Rússia e reconheceu que não discutiu com Trump qual será a política do governo com o antigo rival da Guerra Fria.

Tillerson também atacou a China, advertindo que o gigante asiático não foi um sócio confiável dos Estados Unidos para pressionar a Coreia do Norte por seu programa nuclear.

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