Novas revelações complicam ainda mais candidato da direita francesa

Paris, 2 Fev 2017 (AFP) - O candidato conservador à Presidência da França, François Fillon, suspeito de empregar sua esposa em um cargo fantasma, disse estar determinado a continuar com sua campanha, apesar das divisões crescentes da direita, alimentadas a cada dia por novas revelações.

A mulher do candidato, Penelope Fillon, afirmou que "nunca foi assistente" de seu marido, em uma entrevista de 2007 ao jornal britânico The Sunday Telegraph que o canal francês France 2 recuperou e retransmite nesta quinta-feira.

Em trechos que serão exibidos no programa investigativo "Envoyé spécial", Penelope diz ainda que "tampouco se ocupa da comunicação" de Fillon, segundo a apresentadora do programa, Elise Lucet.

"Penelope Fillon diz várias coisas interessantes nessa entrevista. Entre elas, uma que nos chamou a atenção: 'Nunca fui assistente do meu marido'", contou Lucet à AFP.

Em nota, o advogado de Penelope, Pierre Cornut-Gentille, denunciou que essas declarações foram "tiradas de seu contexto" e garantiu que sua cliente entregou à Justiça "todos os detalhes que justificam a existência de seu trabalho".

Outros veículos, como o jornal Le Monde e o site Mediapart, também têm divulgado informações sobre as atividades lucrativas de Fillon como consultor. Pouco antes de se tornar deputado de Paris, ele criou a empresa "2F" em 2012.

"Não se busca fazer justiça, mas me derrubar. E, além de mim, derrubar a direita", clamou o candidato em um comício nesta quinta-feira, aonde chegou em meio a alguns gritos de "Fillon, renúncia".

Ex-primeiro-ministro de Nicolas Sarkoy (2007-2012), Filllon decidiu ir "até o fim" de sua campanha presidencial e programou duas visitas nesta quinta-feira ao noroeste da França.

O candidato, cuja popularidade está caindo à medida que os dias passam, denunciou na quarta-feira (1º) um "golpe de Estado constitucional" da "esquerda" governante contra sua candidatura.

- Plano BEntre seus correligionários, contudo, muitos também se questionam abertamente sobre a possibilidade de um outro candidato poder disputar a presidência. Até então unido, seu partido já começa a cogitar um "plano B" para substituí-lo.

"Penso que hoje, diante desse evento de imprevisível, o resultado das primárias ficou obsoleto", declarou ontem à imprensa o deputado republicano Georges Fenech, ligado ao ex-presidente Nicolas Sarkozy.

"Somos um pouco como a orquestra do Titanic: estamos afundando", ironizou Fenech, pedindo ao partido que convoque um conselho nacional extraordinário.

"Acontecimentos e fatos se acumulam a cada dia" e "isso lança dúvidas", resume o deputado também republicano Philippe Gosselin que tenta convencer o prefeito de Bordeaux, Alain Juppé, derrotado no segundo turno das primárias da direita em novembro, de voltar à disputa pela presidência.

Juppé, de 71 anos, terminou em segundo lugar nas prévias conservadoras, à frente de Sarkozy. Ele já declarou não estar interessado na corrida presidencial.

Eliminado no 1º turnoSegundo uma pesquisa publicada nesta quinta-feira, 58% dos correligionários do partido de direita Les Républicains (Os Republicanos) acreditam na vitória de seu candidato. Já os simpatizantes da direita e do centro, um eleitorado mais amplo, estão divididos: apenas 50% concordam com sua candidatura. E quase sete em cada dez franceses (69%) desejam que outra personalidade substitua Fillon, aponta a mesma enquete.

"Ele se apresentou aos eleitores como um homem íntegro. É um escândalo que sua mulher tenha recebido tais quantias!", criticou Anne Serise-Dupuis, de 66.

O candidato da direita, que até algumas semanas atrás era o favorito às presidenciais francesas, está em queda livre nas pesquisas.

De acordo com uma pesquisa do instituto Elable, publicada na quarta-feira, Fillon seria eliminado no primeiro turno das eleições de abril, superado pela líder da extrema direita, Marine Le Pen (27%), e pelo ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (23%).

Também alvo de suspeitas de emprego fictício envolvendo uma assistente paga pelo Parlamento Europeu para desempenhar outras tarefas, Marine Le Pen garantiu nesta quinta que permanecerá como candidata - custe o que custar.

Sobre o casal Fillon, a Justiça francesa abriu uma investigação preliminar, depois que o semanário Le Canard Enchaîné revelou que a esposa do até há pouco favorito à presidência recebeu mais de 800.000 euros como assistente parlamentar de seu marido e, depois, de seu suplente entre 1988 e 2013.

Os investigadores tentam determinar se a mulher do ex-primeiro-ministro, que sempre se apresentou como uma dona de casa, trabalhou efetivamente como sua assistente durante o tempo em que recebeu um salário, ou se era um emprego fictício.

bur-dec/jmi/sof/pt/prh/mr/mvv/tt/cc

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos