Poluição na Cidade do México se mantém apesar de rodízio veicular estendido

Paris, 2 Fev 2017 (AFP) - A extensão aos sábados das restrições de circulação veicular na Cidade do México não conseguiu diminuir os níveis de poluição do ar, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira.

A capital mexicana foi uma das primeiras no mundo a introduzir, em 1989, o rodízio de veículos, que determina que apenas os veículos com placas pares ou ímpares podem circular em dias determinados.

O objetivo desta medida é combater a poluição atmosférica que, segundo a Organização Mundial da Saúde, mata por ano 3,7 milhões de pessoas no mundo.

A Cidade do México é uma das cidades mais poluídas do hemisfério ocidental, com níveis de particulados três a quatro vezes superiores aos de Nova York, São Paulo ou Buenos Aires, segundo o estudo, publicado pela revista científica Scientific Reports.

Isto se deve, em parte, à sua geografia, visto que a megalópole está rodeada por montanhas, que confinam as partículas poluentes.

Durante quase duas décadas, o programa de rodízio de veículos "Hoje não circula" foi aplicado apenas de segunda a sexta-feira, e a partir de julho de 2008 se estendeu aos sábados.

O objetivo era reduzir 15% das emissões dos veículos, segundo o estudo.

Mas após analisar os níveis de oito poluentes, entre eles o monóxido de carbono, o ozônio, o dióxido de enxofre e o dióxido de nitrogênio, os pesquisadores concluíram que a medida não tem "nenhum efeito discernível na qualidade do ar", indicou o autor do estudo, Lucas Davis, da Universidade de Berkeley, na Califórnia.

A iniciativa também não conseguiu motivar os motoristas a utilizarem mais o transporte público.

Em vez de se deslocar em trem ou ônibus, os motoristas respondem às restrições utilizando um segundo veículo, caso o possuam, ou o de algum familiar ou amigo, afirmou Davis.

Os táxis - a Cidade do México conta com uma das maiores frotas do mundo, segundo o estudo - também são uma das principais alternativas.

Davis analisou os dados de poluição do ar de 29 postos de controle distribuídos na Cidade do México, entre 2005 e 2012.

Segundo o estudo, cerca de 145 milhões de habitantes no mundo vivem em cidades onde se aplica o rodízio de veículos, como São Paulo, Santiago, Bogotá, La Paz, Pequim, Nova Délhi, Atenas e Bruxelas.

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