TOPSHOTS Governo da Romênia enfrenta grandes manifestações

Bucareste, 2 Fev 2017 (AFP) -









O governo social-democrata romeno enfrenta as piores manifestações no país desde a queda do comunismo após a adoção de um controverso decreto que descriminaliza atos de corrupção.

Entre 200.000 e 300.000 pessoas, segundo estimativas da imprensa, protestaram na quarta-feira em Bucareste e em outras 40 localidades do segundo país mais pobre da União Europeia, pedindo a renúncia do novo governo social-democrata, no poder há apenas um mês.

Os manifestantes denunciam a adoção na terça-feira, "à noite, como ladrões", de um decreto do governo de Sorin Grindeanu que descriminaliza vários atos de corrupção, o que permitiria aos políticos evitar os processos judiciais, e condiciona as condenações com penas de prisão por abuso de poder apenas se os montantes superarem os 44.000 euros.

Na capital, onde 100.000 pessoas protestaram, um pequeno grupo de "hooligans", segundo as autoridades, lançaram garrafas contra a polícia, que respondeu disparando bombas de gás lacrimogêneo.

Vinte pessoas foram detidas e cinco, entre elas dois policiais, ficaram feridas.

Grindeanu, que assumiu o cargo no dia 4 de janeiro, denunciou na noite de quarta-feira nas redes sociais que estavam "vivendo em uma época na qual a manipulação alcançou um nível alarmante".

Mas antes de uma reunião do Partido Social-Democrata (PSD) marcada para esta quinta-feira, o governo começa a desmoronar. O ministro de Negócios, Florin Jianu (independente) apresentou sua renúncia e convidou seus colegas a fazer o mesmo.

"Esperava (...) que a pressão das ruas obrigasse os que cometeram este erro a repará-lo", explicou Jianu em sua conta do Facebook.











Por sua vez, o ministro da Justiça, Florin Iordache, afirmou que não foi feito nada "em segredo, ilegal ou imoral" sobre o decreto. O governo disse que estava simplesmente harmonizando a legislação de acordo com a Constituição.

Mas os críticos afirmam que o principal beneficiado com esta legislação seria o líder do PSD, Liviu Dragnea, julgado atualmente por suposto abuso de poder, assim como outros responsáveis da esquerda.

Dragnea, de 54 anos, já está inabilitado pela justiça, que o condenou no ano passado a dois anos de prisão com direito a sursis por fraude eleitoral.

Seu julgamento por abuso de poder por um caso de empregos fictícios começou na terça-feira. Os procuradores estimam que o prejuízo neste caso chega a 24.000 euros.

Outra iniciativa, que Grindeanu apresentará ao Parlamento, levaria à libertação de 2.500 pessoas que cumprem penas inferiores a cinco anos.

O governo disse que a medida reduzirá a superpopulação carcerária, mas os críticos insistem que os principais beneficiários seriam vários responsáveis e políticos condenados devido às campanhas anticorrupção dos últimos anos.

- Mobilização espontânea -A Comissão Europeia e várias embaixadas ocidentais expressaram sua preocupação diante do projeto do governo.

O PSD retornou ao poder após as legislativas de dezembro, depois de ter sido obrigado a abandoná-lo em 2015, pressionado por importantes manifestações. Os sociais-democratas fizeram campanha principalmente sobre o compromisso de melhorar o nível de vida dos romenos.

Várias de suas promessas entraram em vigor na quarta-feira: um aumento do salário mínimo, das aposentadorias, das bolsas de estudo e do transporte gratuito nas ferrovias para os estudantes.

Mas, segundo o editorialista Malin Bot, do jornal Romania Libera (próximo à centro-direita), "o único objetivo (do SPD) é se proteger da justiça e conservar as fortunas acumuladas no Estado".

Nas ruas, vários cartazes dos manifestantes lançavam uma imagem inequívoca: "Não podem nos comprar".

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