Após Irã e Rússia, Coreia do Norte fica na mira de Trump

Washington, 3 Fev 2017 (AFP) - Os Estados Unidos abriram nesta sexta-feira uma nova frente no cenário internacional colocando de guarda a Coreia do Norte contra qualquer desejo de lançar um ataque nuclear, depois de fazer advertências ao Irã e à Rússia.

Durante uma visita a Seul, o novo secretário de Defesa, James Mattis, advertiu nesta sexta-feira que um ataque nuclear da Coreia do Norte contra os Estados Unidos ou um de seus aliados provocaria uma resposta "eficaz e esmagadora" de Washington.

O chefe do Pentágono é o primeiro funcionário de alto escalão da administração Trump a realizar uma viagem oficial ao exterior. Chegou na quinta-feira à Coreia do Sul e continua nesta sexta-feira no Japão um giro destinado a dar garantias do compromisso de Washington com a segurança de seus aliados chave.

Na véspera desta visita, a oposição japonesa pediu ao primeiro-ministro, Shinzo Abe, que rompa seu silêncio sobre o decreto de Donald Trump que proíbe a entrada em território americano de cidadãos de sete países muçulmanos e refugiados de todos os países, e se posicione sobre o tema de direitos humanos.

"Não descartamos nada"As declarações mais ameaçadoras do presidente republicano foram dedicadas ao Irã, após o teste recente de míssil balístico.

"O Irã está brincando com fogo - eles não apreciam o quão 'gentil' o presidente Obama foi com eles. Mas não eu!", afirmou em um de seus tuítes matinais nesta sexta-feira.

Estas medidas de represália contra pessoas ou entidades vinculadas ao programa de mísseis balísticos iraniano seriam a primeira manifestação do endurecimento anunciado por Washington contra a República Islâmica, apesar do histórico acordo sobre o programa nuclear iraniano assinado em julho de 2015 entre Teerã e as grandes potências.

Este acordo foi o grande troféu diplomático do antecessor democrata de Donald Trump, Barack Obama, que se esforçou para reduzir as tensões com o Irã.

O presidente republicano, por sua vez, recorre a um tom beligerante contra Teerã: "não descartamos nada", respondeu à imprensa quando foi perguntado sobre uma eventual ação militar. A República Islâmica denunciou ameaças "sem fundamento, repetitivas e provocativas"

Rússia e CrimeiaO mais surpreendente foi que a nova administração também atacou Moscou, já que a aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin, era uma prioridade de Donald Trump, como se encarregou de repetir durante toda a campanha eleitoral.

Sua nova embaixadora na ONU, Nikki Haley, "condenou as ações agressivas da Rússia" na Ucrânia. Na quinta-feira afirmou ante o Conselho de Segurança que seriam mantidas as sanções contra Moscou "até que a Rússia devolva o controle da península (da Crimeia) à Ucrânia".

Depois de ter sido aprovado pelo Senado, o novo secretário de Estado, Rex Tillerson, terá que informar rapidamente as orientações dos Estados Unidos em política externa.

Este engenheiro texano de 64 anos e sem experiência política fez toda a sua carreira até o topo do grupo petrolífero ExxonMobil. É considerado próximo a vários chefes de Estado.

"Alguns não querem Rex porque se entendia bem com os dirigentes do planeta (...). É uma boa coisa, não uma coisa ruim", opinou Donald Trump em alusão a sua proximidade com Vladimir Putin.

O 69º secretário de Estado também deverá aceitar as engrenagens internas da administração. Reconheceu que a vitória do empresário do setor imobiliário não era do gosto de todos no aparato estatal.

Segundo um diplomata, o departamento de Estado, habitualmente classificado de progressista, sofre atualmente uma insurreição burocrática. Mil diplomatas e funcionários contestatários assinaram um memorando interno denunciando o recente decreto anti-imigração assinado por Donald Trump e que até hoje segue abalando as relações internacionais dos Estados Unidos.

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