EUA impõem novas sanções ao Irã

Washington, 3 Fev 2017 (AFP) - A administração do presidente americano, Donald Trump, impôs nesta sexta-feira novas sanções ao Irã por seu programa de mísseis balísticos e elevou o tom com este país, dias depois de um teste que provocou a ira de Washington.

Estas novas sanções, que não estão relacionadas ao programa nuclear de Teerã, atingem 25 pessoas ou entidades suspeitas de apoiar logisticamente os mísseis balísticos iranianos, informou o Departamento do Tesouro em um comunicado.

"O apoio contínuo do Irã ao terrorismo e o desenvolvimento de seu programa de mísseis balísticos constituem uma ameaça para a região, para nossos aliados no mundo e para os Estados Unidos", afirmou John Smith, diretor interino da unidade encarregada das sanções financeiras (Ofac).

Esta nova série de sanções foi adotada quando os Estados Unidos acabam de advertir Teerã por ter realizado um teste de míssil na semana passada.

"O Irã está brincando com fogo - eles não apreciam o quão 'gentil' o presidente Obama foi com eles. Mas não eu!", tuitou na manhã desta sexta-feira o novo presidente americano.

De acordo com as sanções aprovadas pelo Tesouro, dirigidas principalmente contra uma rede de apoio na China, pessoas e entidades afetadas sofrerão o congelamento de seus bens nos Estados Unidos e não poderão fazer transações com pessoas e instituições americanas.

"Não descartamos nada"Na quinta-feira, ao ser consultado pela imprensa se considerava a possibilidade de uma ação militar contra o Irã pelo teste de mísseis, Trump havia se limitado a responder: "não descartamos nada".

A elevação de tom havia ficado evidente nesta semana quando o conselheiro de Segurança Nacional de Trump, Michael Flynn, enviou ao Irã uma "advertência" pelo teste com míssil.

O porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Bahram Ghasemi, afirmou que estas alegações são "sem fundamento, repetitivas e provocativas".

Trump é um opositor ferrenho do acordo impulsionado pelos Estados Unidos e assinado por vários países ocidentais com o Irã envolvendo a sua indústria nuclear, e já ameaçou revisá-lo.

Este acordo foi o grande troféu diplomático do antecessor democrata de Donald Trump, Barack Obama, que se esforçou para reduzir as tensões com o Irã.

Apenas duas semanas depois de ter assumido a presidência, o governo de Trump também enviou uma mensagem dura à Coreia do Norte.

Durante uma visita à Coreia do Sul, o novo secretário de Defesa, James Mattis, advertiu nesta sexta-feira que um ataque nuclear da Coreia do Norte contra os Estados Unidos ou um de seus aliados provocaria uma resposta "eficaz e esmagadora" de Washington.

O chefe do Pentágono é o primeiro funcionário de alto escalão da administração Trump a realizar uma viagem oficial ao exterior.

Mattis chegou na quinta-feira à Coreia do Sul e continua nesta sexta-feira no Japão um giro destinado a dar garantias do compromisso de Washington com a segurança de seus aliados chave.

Na véspera desta visita, a oposição japonesa pediu ao primeiro-ministro, Shinzo Abe, que rompa seu silêncio sobre o decreto de Donald Trump que proíbe a entrada em território americano de cidadãos de sete países muçulmanos e refugiados de todos os países, e se posicione sobre o tema de direitos humanos.

Rússia e CrimeiaWashington também surpreendeu na quinta-feira ao atacar a Rússia no Conselho de Segurança da ONU.

Em diversas oportunidades, Trump se mostrou favorável a uma melhora das relações com a Rússia, mas o tom utilizado por sua embaixadora na ONU, Nikki Haley, foi de poucos amigos.

Haley "condenou as ações agressivas da Rússia" na Ucrânia e afirmou ante o Conselho de Segurança que as sanções contra Moscou serão mantidas "até que a Rússia devolva o controle da península (da Crimeia) à Ucrânia".

Depois de ter sido aprovado pelo Senado, o novo secretário de Estado, Rex Tillerson, terá que informar rapidamente as orientações dos Estados Unidos em política externa.

Este engenheiro texano de 64 anos e sem experiência política fez toda a sua carreira até o topo do grupo petrolífero ExxonMobil. É considerado próximo a vários chefes de Estado.

Segundo um diplomata, o Departamento de Estado, habitualmente classificado de progressista, sofre atualmente uma insurreição burocrática.

Mil diplomatas e funcionários contestatários assinaram um memorando interno denunciando o recente decreto anti-imigração assinado por Donald Trump e que até hoje segue abalando as relações internacionais dos Estados Unidos.

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