Kiev e Moscou se acusam mutuamente de retomar conflito na Ucrânia

Avdiivka, Ucrânia, 3 Fev 2017 (AFP) - O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, defendeu, nesta quinta-feira (2), mais pressão sobre a Rússia no quinto dia de combates entre soldados ucranianos e rebeldes pró-russos no leste da Ucrânia, enquanto Vladimir Putin acusou Kiev de ter planejado a retomada das hostilidades.

A diplomacia ucraniana rejeitou as acusações de Moscou, chamando-as de "absurdas e completamente falsas".

Os enfrentamentos de Avdiivka - os mais violentos desde a trégua assinada em dezembro passado - também são os primeiros desde a posse do novo presidente americano, Donald Trump. O magnata nova-iorquino propõe uma aproximação com a Rússia, país acusado por Kiev e pela União Europeia de apoiar militarmente os separatistas russos do leste da Ucrânia.

Em suas primeiras declarações públicas no Conselho de Segurança da ONU, nesta quinta, a embaixadora americana na organização, Nikki Haley, condenou as "ações agressivas" da Rússia na Ucrânia.

"Nós queremos melhorar nossas relações com a Rússia. De qualquer modo, a terrível situação no leste da Ucrânia exige uma clara e firme condenação das ações da Rússia", frisou Haley.

Horas antes, Poroshenko havia denunciado: "Os soldados russos atiram contra Avdiivka".

"O mundo deve ser mais ativo na pressão sobre a Rússia para obter um cessar-fogo", afirmou o presidente ucraniano em conversa com seu colega eslovaco, Andrej Kiska, segundo um comunicado da Presidência ucraniana.

Em coletiva de imprensa conjunta com seu contraparte húngaro, Viktor Orban, em Budapeste, Vladimir Putin rebateu, acusando o Exército ucraniano de ter retomado os confrontos e de "ter avançado 200 metros no território controlado pelas milícias", antes de ser contido.

"Mediante esse conflito", as autoridades ucranianas buscam "estabelecer relações" com o governo Trump, declarou o presidente russo.

"É muito mais fácil assim para que a administração [americana] esteja a par dos problemas ucranianos", completou.

Os combates prosseguiam na quinta-feira, com disparos de foguetes e de obuses de morteiro. Um civil morreu. Além disso, as autoridades separatistas anunciaram a morte de um de seus combatentes nos subúrbios de Avdiivka, e o Exército ucraniano, a de dois soldados.

Já chega a 25 o número de mortos desde a retomada da violência.

Avdiivka é uma cidade de 20 mil habitantes, que enfrenta escassez de calefação e de água corrente, devido aos danos registrados na central elétrica da cidade.

É um ponto estratégico do conflito no leste da Ucrânia, que havia sido conquistado pelos separatistas pró-russos no começo dos combates, em abril de 2014.

Também na quinta-feira, em entrevista a jornais regionais da Alemanha, Poroshenko sinalizou sua intenção de organizar um referendo de adesão da Ucrânia à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

"Como presidente, estou guiado pela opinião do meu povo e farei um referendo sobre a questão da adesão à Otan", declarou Poroshenko.

"O que conta, para mim, é a opinião da população ucraniana", acrescentou.

"Há quatro anos, 16% [da população] eram a favor da adesão da Ucrânia à Otan. Hoje são 54%", afirmou o presidente.

is-tbm/kat/mr.

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