Violência contra muçulmanos rohingyas deixa centenas de mortos em Mianmar

Genebra, 3 Fev 2017 (AFP) - Centenas de muçulmanos rohingyas foram mortos no oeste de Mianmar desde o início, em outubro, da operação do exército contra esta minoria, informou nesta sexta-feira a ONU, denunciando "graves violações dos direitos Humanos".

Estas operações "fizeram provavelmente centenas de mortes e levaram cerca de 66.000 pessoas a fugir para o Bangladesh e 22.000 outras a se deslocar dentro" do país, indica o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos em um relatório.

O exército birmanês lançou em 10 de outubro uma grande ofensiva no estado de Rakhine (oeste) em resposta ao ataque de postos fronteiriços desta região por grupos de homens armados.

As autoridades birmanesas acusam os rebeldes rohingyas, formados no exterior com a ajuda de países árabes, de serem os autores destes ataques.

De acordo com o International Crisis Group (ICG), uma organização independente que analisa os conflitos no mundo, trata-se de um grupo de militantes chamado Harakah al-Yaqin, apoiado pela Arábia Saudita.

Refugiados no vizinho Bangladesh, os rohingyas denunciam terríveis atrocidades cometidas contra eles pelo exército, de estupros coletivos a torturas e assassinatos.

"Os ataques contra a população rohingya na região (assassinatos, desaparecimentos forçados, tortura e tratamento desumano, estupros e outras agressões sexuais) parecem ser uma prática amplamente generalizada e sistematizada, indicando que provavelmente foram cometidos crimes contra a Humanidade", aponta o relatório.

'Política do terror'Questionado pela AFP, o porta-voz do governo de Mianmar, Zaw Htay, afirmou que não tinha lido o relatório, acrescentando que no momento não faria qualquer comentário sobre o assunto.

O documento se baseia em entrevistas realizadas pela ONU com mais de 200 vítimas e testemunhas, que afirmam que soldados birmaneses cometeram crimes de assassinato, estupro e tortura.

Os depoimentos citam casos de mulheres e meninas estupradas, homens queimados e até mesmo bebês e crianças massacradas a facadas.

Esta "política de terror" aplicada pelo exército birmanês desde outubro está longe de ser um "ato isolado", segundo o texto.

"O governo de Mianmar deve acabar imediatamente com estas graves violações dos direitos Humanos contra o seu povo, em vez de continuar a negar os fatos, e aceitar a responsabilidade de assegurar às vítimas o acesso à justiça, indenização e segurança", afirma o alto comissário da ONU, Ra'ad Zeid Al-Hussein, em um comunicado.

"A gravidade e o alcance destas denuncias implicam uma forte reação da comunidade internacional", disse ele.

O relatório da ONU também aponta que o deslocamento forçado de pessoas pertencentes a uma minoria étnica ou um grupo religioso é considerado pelo organismo como "limpeza étnica".

Em junho, Ra'ad Zeid Al-Husseinjá havia indicado que as violações aos direitos dos rohingyas, principalmente a negação da cidadania, o trabalho forçado e as agressões sexuais, deveriam ser consideradas "crimes contra a Humanidade".

Considerados como estrangeiros em Mianmar, país cuja população é 90% budista, os rohingyas muçulmanos são vistos como apátridas e sofrem diariamente com discriminações.

Há algumas semanas, mais de uma dezena de premiados com o Nobel da Paz escreveram ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para pedir uma intervenção e evitar esta "tragédia humana, limpeza étnica e crimes contra a humanidade".

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