Companhias aéreas autorizam viagens aos EUA após bloqueio do decreto de Trump

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Paris, 4 Fev 2017 (AFP) - Algumas companhias aéreas voltaram, neste sábado (4), a transportar para os Estados Unidos cidadãos dos sete países afetados pela proibição de entrada em território americano, após o bloqueio, por um juiz federal, da ordem executiva anti-imigração do presidente Donald Trump.

Air France, Qatar Airways, Lufthansa, Etihad Airways e Swiss indicaram que estão aplicando as novas diretrizes da Justiça dos Estados Unidos, sempre e quando os passageiros tiverem um visto em vigor.

"Desde esta manhã, se aplica imediatamente a decisão da Justiça tomada ontem a noite (sexta-feira). Todos os passageiros que se apresentem com documentos em dia para ir aos Estados Unidos serão embarcados", afirmou à agência de notícias AFP um porta-voz da Air France.

Esta decisão foi tomada depois que um tribunal federal dos Estados Unidos suspendeu, na sexta-feira, em todo o país, o polêmico decreto migratório de Trump, que proibia a entrada, durante três meses, de cidadãos de sete países de maioria muçulmana (Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen), assim como a de todos os refugiados, durante 120 dias.

No sábado, a diplomacia americana anunciou a revisão da suspensão provisória de cerca de 60 mil vistos concedidos a cidadãos desses países, e o Departamento de Segurança Interna disse que "suspendeu todas as ações que aplicam" o decreto.

Várias companhias aéreas, como a Qatar Airways e a alemã Lufthansa, anunciaram em seus sites que estavam aplicando a nova norma.

A companhia americana United Airlines disse à AFP que "aplicará as novas diretrizes" do escritório americano de fronteiras e alfândegas (Customs and Border Protection).

Já a Etihad, dos Emirados Árabes Unidos, "aceitará de novo os cidadãos dos sete países" em seus voos, declarou um porta-voz da companhia, que pediu, porém, aos clientes que se informem em consulados e embaixadas americanas sobre o desenvolvimento da situação.

No Egito, um representante do aeroporto do Cairo informou que as companhias aéreas haviam recebido uma nota do aeroporto JFK, de Nova York, sobre a suspensão do decreto presidencial.

A nota se aplica a todos os passageiros com visto de imigrante ou de turista, com voo direto para os Estados Unidos ou em trânsito por outro aeroporto, segundo este representante, que pediu anonimato.

"Todos os passageiros com documentos de viagem válidos podem viajar em qualquer um dos voos da Swiss com destino aos Estados Unidos", assegurou a companhia em uma declaração enviada à AFP.

Autorização temporária?

Esta autorização, porém, pode ter um efeito temporário. É válida no território americano enquanto uma ação apresentada pelo ministro da Justiça do Estado de Washington, Bob Ferguson, é analisada.

A Casa Branca ordenou ações para reverter a decisão da Justiça e fazer com que o decreto seja aplicado.

"A opinião desse suposto juiz, que basicamente priva nosso país da sua polícia, é ridícula e será anulada!", afirmou o presidente americano em uma série de mensagens no Twitter, um dia depois do magistrado bloquear temporariamente o seu decreto.

Em Teerã, uma agência de viagens aconselhou os cidadãos que desejam viajar para os Estados Unidos a embarcar o mais rapidamente possível.

"A todos que possuem um visto (...), peguem um avião para qualquer cidade (dos Estados Unidos) nesta mesma noite", disse um funcionário desta agência, pedindo anonimato.

A decisão do juiz federal pode ser "rejeitada em apelação", alertou, aconselhando os iranianos a não assinarem nenhum documento caso sejam impedidos de entrar em território americano ao chegar ao aeroporto.

Aéreas em dúvida

Essa incerteza leva algumas companhias a serem cautelosas. A finlandesa Finnair não alterou seus procedimentos devido à falta de uma confirmação oficial das autoridades americanas, segundo um porta-voz.

A companhia 'low cost' norueguesa Norwegian considera que a situação é "incerta" e pediu aos passageiros que consultem a embaixada dos Estados Unidos, indica em um comunicado.

O mesmo ocorre com a escandinava SAS, que diz não saber se as alfândegas dos Estados Unidos estão respeitando ou não o bloqueio do decreto anti-imigração.

Vários cidadãos destes sete países foram retidos nos últimos dias ao chegarem nos aeroportos americanos, ou foram impedidos de embarcar desde outros aeroportos com destino aos Estados Unidos, gerando protestos internacionais maciços.

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