Igreja: 7% dos padres católicos australianos acusados de abusar de menores

Sydney, 6 Fev 2017 (AFP) - Sete por cento dos sacerdotes católicos foram acusados de abusar de crianças na Austrália entre 1950 e 2010, mas as denúncias nunca foram investigadas, segundo os dados "surpreendentes e indefensáveis" divulgados nesta segunda-feira por uma investigação de supostos casos de pedofilia na igreja.

A Real Comissão sobre Respostas Institucionais para Abusos Sexuais de Crianças descobriu que 4.444 supostos incidentes de pedofilia foram denunciados às autoridades eclesiásticas e que, em algumas dioceses, mais de 15% dos padres estavam supostamente envolvidos.

A Austrália encomendou a esta comissão, em 2012 e após uma década de crescente pressão para que fossem investigadas as acusações de abusos sexuais de menores em todo o país, um estudo que agora chega a sua fase final, após quatro anos de audiências.

"Entre 1950 e 2010, 7% dos padres eram supostos criminosos", disse Gail Furness, advogada encarregada dos interrogatórios da investigação, em Sydney.

"Os relatórios eram deprimentemente similares. As crianças eram ignoradas ou, pior, castigadas. As acusações não eram investigadas. Os padres e os (trabalhadores) religiosos eram transferidos", acrescentou.

"As paróquias ou as comunidades para onde eram transferidos não sabiam nada sobre seu passado. Os documentos não eram conservados ou eram destruídos".

A idade média das vítimas naquele momento era de 10 anos para as meninas e 11 para os meninos.

Dos 1.880 supostos delinquentes, 90% eram homens.

A comissão falou com milhares de sobreviventes e ouviu acusações de abusos sexuais de menores ocorridos em igrejas, orfanatos, clubes esportivos, grupos juvenis e escolas.

A Igreja da Austrália encarregou o Conselho de Verdade, Justiça e Cura a emitir uma resposta.

"Estes números são surpreendentes, trágicos, indefensáveis", disse à comissão o diretor-executivo do conselho, Francis Sullivan.

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