Temer e Macri se reúnem com foco em agenda econômica

Brasília, 6 Fev 2017 (AFP) - O presidente argentino, Mauricio Macri, visitará Michel Temer na terça-feira com o objetivo de estreitar os laços comerciais e dar um novo impulso ao Mercosul, em um momento em que ambas economias atravessam profundas recessões.

"É um momento de coincidência de percepções entre os dois governos, sobre como se organiza uma economia, sobre a taxa de câmbio e sobre o que é preciso fazer para retomar o crescimento", apontou o diplomata brasileiro Paulo Estivallet de Mesquita, encarregado das relações com a América Latina.

A chegada de Temer e Macri ao poder marcaram o fim de uma era de governos de esquerda e significou uma mudança radical em suas políticas para recompôr as duas maiores economias da América do Sul, atingida pelo fim do 'boom' das matérias-primas.

Em Brasília, eles discutirão uma maneira de fortalecer o viés econômico e comercial do Mercosul, a fim de eliminar as barreiras protecionistas que ainda são obstáculo para a implementação do livre-comércio entre os membros do bloco, e particularmente entre Argentina e Brasil, explicou Mesquita.

"Também buscarão ampliar a inserção internacional do Mercosul", impulsionando as negociações para concretizar um demorado acordo de livre-comércio com a União Europeia e explorando oportunidades de comércio com países como Japão, Coreia, Canadá, Noruega, Islândia e Suíça, acrescentou o diplomata.

A visita de Estado será o segundo encontro entre ambos os presidentes. Temer se reuniu com Macri em Buenos Aires em outubro do ano passado.

Macri viajará à Brasília com seus ministros das Relações Exteriores, Fazenda, Produção e Agroindústria.

A delegação se reunirá com Temer pela manhã, depois almoçará no Palácio do Itamaraty e se encontrará pela tarde com os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, e com ministros do Supremo Tribunal Federal.

- "Efeito Trump" -Para Alberto Pfeifer, professor de Relações Internacionais na Universidade de São Paulo, Macri e Temer não devem excluir de suas discussões as possibilidades que o protecionismo americano traz para as economias latino-americanas.

Donald Trump anunciou que revisará o Nafta, tratado de livre-comércio entre EUA, México e Canadá, e o abandono da Parceria Transpacífico (TTP na sigla em inglês), o que prejudicará países exportadores como México, que vende 80% de seus produtos ao vizinho norte-americano.

"O efeito indireto da política do governo americano em relação ao México e à América Latina pode ser um momento de oportunidade para que Brasil e Argentina aumentem e melhorem suas relações com a região, aproveitando as oportunidades de mercado", avaliou Pfeifer.

Argentina e Brasil também poderiam "exportar soja, milho, algodão, açúcar, carne (...), produtos que o México importa dos Estados Unidos", acrescentou.

Para Mesquita, apesar de a agenda se concentrar nos planos para sair da crise -tema que atormenta os dois países- os assuntos políticos do Mercosul provavelmente também serão abordados na reunião de Macri e Temer, como a suspensão da Venezuela em dezembro por não ter-se ajustado às exigências comerciais e sobre os direitos humanos do bloco.

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