Trump defende 'programas fortes' de imigração ante forte oposição

Washington, 7 Fev 2017 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu nesta segunda-feira "programas fortes" de controle migratório, enquanto enfrenta uma dupla ofensiva judicial e política, e o descontentamento popular contra sua ordem de proibir a entrada de imigrantes de países muçulmanos.

De visita na segunda-feira à Flórida (sudeste) ao CENTCOM, o comando militar encarregado do Oriente Médio e da luta contra o grupo Estado Islâmico, o presidente republicano prometeu derrotar o "terrorismo islâmico radical" e não permitir "que crie raízes em nosso país".

"Precisamos de programas fortes para que as pessoas que nos amam e querem amar nosso país (...) possam entrar, mas não quem quer nos destruir", disse Trump.

Em um decreto de 27 de janeiro, o presidente suspendeu por 120 dias a entrada de refugiados (para os procedentes da Síria o prazo é indefinido) e por 90 dias para cidadãos de Iraque, Irã, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen, países de maioria muçulmana.

A medida rapidamente provocou protestos em várias cidades dos Estados Unidos e do exterior, e seus críticos advertem que a proibição poderia prejudicar a cooperação antiterrorista, ao promover a propaganda do Estado Islâmico.

Mas na sexta-feira, um juiz federal de Seattle, no estado de Washington (noroeste), deixou em suspenso a implementação do decreto, uma decisão mantida no sábado pelo tribunal federal de apelações do Nono Circuito em San Francisco (Califórnia) e que abre uma batalha legal para a jovem administração Trump.

O governo apresentou por escrito na segunda-feira uma defesa do decreto. O documento, de 15 páginas, afirma categoricamente que a assinatura de decretos constitui um "exercício legal" da autoridade presidencial.

Os três juízes que compõem essa corte de Apelações convocaram as duas partes a uma teleconferência na tarde de terça-feira para apresentar argumentos orais.

"Notícias falsas"Além do bloqueio nas cortes, que para a frustração do plano de Trump reabriu as portas dos Estados Unidos aos refugiados e os cidadãos dos sete países, a ordem presidencial ganhou também a oposição das principais companhias tecnológicas.

Gigantes do Vale Silício, como Apple, Facebook, Google, Microsoft e Twitter - no total, quase uma centena de empresas - apresentaram na noite de domingo um documento legal na corte de apelações em San Francisco em apoio à demanda em curso contra o decreto de Trump.

As empresas tecnológicas, que contratam milhares de imigrantes, denunciaram que a ordem presidencial "inflige um dano significativo aos negócios americanos, à inovação e ao crescimento".

Além disso, os procuradores-gerais do Distrito de Columbia (onde fica a capital, Washington) e 15 estados, entre eles a Califórnia, somaram seu apoio à suspensão no caso da corte de San Francisco.

Trump também parece enfrentar uma opinião pública adversa: duas novas pesquisas revelaram que uma leve maioria dos americanos se opõe à proibição migratória.

Mas Trump desconsiderou estas pesquisas: "todas as pesquisas negativas são notícias falsas, tal como as pesquisas eleitorais de CNN, ABC e NBC", escreveu no Twitter nesta segunda-feira.

"Lamento, as pessoas querem segurança fronteiriça e checagens rigorosos", acrescentou o presidente, que também promete construir um muro na fronteira com o México.

Ao falar com comandantes militares no CENTCOM, Trump voltou a atacar a imprensa.

De acordo com o presidente, os riscos com "terroristas" nos Estados Unidos se tornaram tão comuns que o país chegou "a um ponto em que (os ataques) não são sequer informados pela mídia".

"E em muitos casos, a imprensa muito, muito desonesta nem mesmo quer levar em conta" estes ataques, acrescentou. "Têm suas razões e vocês o sabem bem", concluiu.

Críticas republicanasDiante dos obstáculos na Justiça a uma de suas principais promessas eleitorais, Trump disparou tuítes ao juiz de Seattle, tachando-o de "suposto juiz" e acusando-o de expor ao país a um "perigo".

"Dei instruções à Segurança Interior de que controle MUITO CUIDADOSAMENTE as pessoas que estão entrando no país. Os tribunais estão dificultando o trabalho!", escreveu no domingo no Twitter.

O vice-presidente Mike Pence se uniu às críticas presidenciais, denunciando a decisão "frustrante" do tribunal.

Mas o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, explicou que a Justiça fez seu trabalho e distanciou-se do decreto, expressando no domingo medo de que sua redação deixe a porta aberta para implementar um "exame religioso" para os imigrantes.

"Todos queremos tentar manter os terroristas fora dos Estados Unidos (...) Mas certamente não queremos que os aliados muçulmanos que lutaram conosco não possam viajar aos Estados Unidos", destacou.

A opinião pública americana também se opõe ao decreto: 53% dos americanos, segundo pesquisa da CNN, e 51% segundo a CBS, rejeitam a proibição migratória.

bur-rsr/ahg/ja/tm/ahg/dg/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos