Déficit comercial dos EUA cresce e dá mais munição a Trump

Washington, 7 Fev 2017 (AFP) - O déficit comercial dos Estados Unidos cresceu em 2016 para seu nível mais alto em quatro anos com persistentes desequilíbrios com China, Europa e México que dão mais munição ao protecionismo de Donald Trump.

O déficit crônico, com o saldo negativo das trocas americanas de bens e serviços com o resto do mundo chegando a 502,2 bilhões de dólares no ano passado, aumentou em 0,4% em relação a 2015, informou o Departamento de Comércio.

Do ponto de vista contábil, o déficit equivale a 2,7% do PIB americano e pesa no crescimento econômico. Mas é no político onde poderá ter um maior impacto.

O presidente Trump chegou à Casa Branca com a promessa de corrigir os desequilíbrios no comércio exterior e estes dados dão argumentos para sua ideia de taxar as importações.

O déficit da troca de bens com a China é o maior. Em 2016 foi de 347 bilhões de dólares, apesar de esta quantidade representar uma queda de 5,4% em comparação com 2015.

Acusada de práticas comerciais desleais, a China é um dos principais alvos de Trump, que ameaça impor direitos alfandegários de até 45% a produtos vindo deste país e que quer frear o deslocamento de empresas.

A China é culpada do "maior roubo de empregos da história" dos Estados Unidos, disse Trump em junho de 2016.

Déficit maior com o MéxicoO déficit comercial de bens também foi grande com a União Europeia (UE) ao se situar nos 146,3 bilhões de dólares, cifra menor quando comparada a de 2015.

Dentro da UE, o déficit é particularmente notório com a Alemanha: 64,9 bilhões de dólares.

Na semana passada, a administração de Trump criticou a Alemanha acusando-a de "explorar" comercialmente os Estados Unidos. Washington considera que o euro está "fortemente subestimado" e, dessa forma, torna mais competitivas as exportações alemães.

Em contrapartida, em 2016 os Estados Unidos tiveram um superávit de 1,1 bilhão de dólares com o Reino Unido, com quem Trump buscar se aproximar em um momento em que o país se encaminha para sair da União Europeia.

O Brexit será "um sucesso", disse Trump recentemente.

Os dados mais explosivos politicamente são os relacionados ao México, a quem Trump quer obrigar a construir um muro na fronteira e pagar por ele, entre outros, com taxas de importação.

O déficit dos Estados Unidos com seu vizinho subiu 4,1% em 2016 ficando em 63,2 bilhões, segundo o Departamento de Comércio.

A Casa Branca falou recentemente de taxar em 20% as importações do México e ameaçou sancionar as empresas que se instalarem lá para produzir bens destinados ao mercado americano para baratear custos.

Trump quer renegociar, ou diretamente romper, o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) com México e Canadá. O presidente disse que esse tratado vigente desde 1994 é um "desastre" para os Estados Unidos.

Esses dados brutos não levam em conta, entretanto, o comércio de serviços (como finanças ou transporte) que é tradicionalmente superavitário no país. O excedente de 2016 nessa categoria foi de 247,8 bilhões de dólares.

Segundo o Departamento de Comércio, o déficit da balança de bens e serviços do ano passado se deve a uma queda das exportações (-2,3%) que ficou mais marcada do que a queda das importações (-1,8%).

As exportações de materiais industriais e equipamentos tiveram notórias quedas, disse o relatório.

Esses dados são um legado negativo do antecessor de Trump. Em 2010, o presidente Barack Obama prometeu duplicar em cinco anos o montante das exportações americanas que eram de 1,84 bilhões de dólares.

Essa meta de Obama ficou distante de ser alcançada em 2016, pois as exportações chegaram a "somente" 2,20 bilhões de dólares.

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