François Fillon tenta relançar campanha presidencial após escândalo

Paris, 7 Fev 2017 (AFP) - A menos de três meses para a eleição presidencial francesa, o candidato da direita François Fillon, mergulhado em um escândalo de emprego fantasma de sua família, tentava nesta terça-feira relançar sua campanha, mas precisou enfrentar novas revelações.

O jornal Le Canard Enchaîné, responsável pelas primeiras revelações do "Penelopegate" há duas semanas, publicará novos elementos do caso em sua edição de quarta-feira. Penelope Fillon, esposa do ex-primeiro-ministro, recebeu em 2002 16.000 euros em indenizações ligadas a uma licença e, em 2013, 29.000 euros em prêmios pagos pela Assembleia Nacional, segundo o veículo.

"Na época, a lei não previa um tal nível de indenizações por licença a um assistente parlamentar", assegura o jornal.

Esta nova revelação surge em meio a uma tentativa de contra-ataque do candidato. Após duas semanas de turbulência que o fez perder o favoritismo na corrida presidencial, François Fillon realizou esta manhã uma reunião com parlamentares, antes de viajar ao nordeste da França.

"Não há plano B", mas "apenas um plano A de Ataque", disse ele a seus colegas aparentemente desorientados com a aproximação da eleição presidencial de 23 de abril e 7 de maio.

Ele deve continuar sua ofensiva com a publicação de uma "Carta aos franceses" na quarta-feira.

Na segunda-feira, o candidato defendeu a "legalidade" de ter empregado Penelope e dois de seus filhos durante uma coletiva de imprensa transmitida ao vivo e acompanhada por mais de 2 milhões de espectadores e internautas.

Mas também reconheceu que tais práticas chocavam a opinião pública atual e, pela primeira vez, apresentou suas "desculpas" pela contratação de membros da família como assistentes parlamentares.

Terceiro nas pesquisasA justiça francesa lançou uma investigação para determinar a natureza do trabalho que desempenharam. De acordo com o Canard Enchaîné, os investigadores ainda não encontraram qualquer evidência do trabalho de Penelope Fillon.

Fillon tem questionado a validade da investigação, dizendo que viola o princípio de separação de poderes entre o Judiciário e o Legislativo.

Em um desmentido divulgado nesta terça-feira, o candidato conservador acusou o semanário Canard Enchainé de publicar "mentiras", pois as novas cifras teriam sido declaradas pertinentemente.

Enquanto seu próprio campo começa a temer a perspectiva de uma eliminação logo no primeiro turno, seus aliados mais próximos o defenderam após a coletiva de imprensa.

"Relançamos a campanha", assegurou Christian Jacob, líder dos deputados do seu partido, Os Republicanos. Ele "provou que é realmente o chefe" e "que não há um plano B", disse Bruno Retailleau, seu coordenador da campanha.

Mas há dias, seu próprio campo discute um candidato alternativo, como o ex-primeiro-ministro Alain Juppé, que, no entanto, garantiu que não entraria na briga.

De acordo com uma pesquisa publicada nesta terça-feira, dois terços dos franceses (65%) não estão convencidos das explicações do candidato, e um pouco mais de um terço (35%) estima que ele deve manter a candidatura.

"A questão não é saber se os políticas estão convencidos, e sim os franceses", diz Nathalie Kosciusko-Morizet, deputada e candidata na primária da direita em novembro.

Até então favorito nas pesquisas, François Fillon afundou nas intenções de voto após o escândalo. Uma pesquisa da OpinionWay divulgada nesta terça-feira aponta o candidato conservador em terceiro lugar com 20%, atrás da líder da extrema-direita Marine Le Pen (25%) e do centrista Emmanuel Macron (23%), o que o tiraria do segundo turno.

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