Jovenel Moïse pede unidade ao assumir Presidência do Haiti

Porto Príncipe, 7 Fev 2017 (AFP) - Após ter sido empossado como o 58º presidente do Haiti, Jovenel Moïse prometeu nesta terça-feira restaurar a ordem e pediu unidade nacional para permitir o desenvolvimento econômico deste país, marcado pela instabilidade política desde o fim da ditadura, em 1986.

"Eu os saúdo porque elegeram a democracia ao invés da anarquia, o caminho da paz ao da violência, a ordem e o progresso no lugar da desordem e da delinquência, que fazem com que nosso país retroceda", declarou o novo presidente em seu primeiro discurso oficial.

Exportador de bananas de 48 anos, Moïse inicia sua carreira política no cargo mais importante do Estado depois que o presidente em fim de mandato, Michel Martelly o escolheu como sucessor no começo de 2015 e candidato do Partido Haitiano Tet Kale (PHTK).

Após agradecer a seus simpatizantes, a maioria egressa da elite, Moïse concentrou seu discurso na decolagem econômica do Haiti.

"Vou trabalhar para que o povo da diáspora que quer retornar para casa possa fazê-lo sem medo, para que a diáspora faça negócios e crie empregos e participe verdadeiramente do desenvolvimento", disse.

Segundo as autoridades, entre 2 e 3 milhões de cidadãos haitianos vivem no exterior. O Haiti tem dez milhões de habitantes.

"O povo haitiano falou: elegeu confiar as rédeas do poder a um homem jovem, um homem dinâmico, um homem que parece ter ideias para tirar o país da miséria e da instabilidade política que há muito tempo freia seu crescimento e seus desenvolvimento", disse Youri Latortue, presidente da Assembleia Nacional.

A personalidade do novo chefe de Estado, quase um total desconhecido para o povo, contrasta com o caráter extravagante de seu antecessor, muito dado a usar linguagem de baixo calão em público.

Sua eleição visa a por um fim à longa crise política iniciada em outubro de 2015, quando o empresário venceu no primeiro turno as eleições presidenciais, mas os resultados foram anulados devido a fraudes maciças.

Em fevereiro de 2016, quando Martelly concluiu seu mandato de cinco anos e deixou um vácuo político por falta de sucessor, o Parlamento elegeu como presidente interino Jocelerme Privert, então presidente do Senado.

As eleições foram reprogramadas para outubro, mas os estragos deixados pelo furacão Matthew só quatro dias antes das eleições voltaram a adiá-la para 20 de novembro.

Finalmente, no começo de janeiro passado, a interminável crise eleitoral haitiana pareceu chegar ao fim quando Moïse foi confirmado vencedor com 55,60% dos votos.

"O povo haitiano merece ter dirigentes democraticamente eleitos", escreveu o porta-voz do Departamento de Estado americano, Mark Toner, em um comunicado, no qual destacou que "os Estados Unidos reafirmam (seu) compromisso com o povo e o governo do Haiti".

O Canadá também confirmou "sua relação de amizade e sua solidariedade com o Haiti", através de seu ministério de Desenvolvimento Internacional e da Francofonia.

Cerimônia modestaMais de duas mil pessoas foram convidadas à posse, dividida em três atos: o juramento ao cargo no Parlamento, uma cerimônia religiosa e o discurso do novo chefe de Estado haitiano.

Os organizadores quiseram privilegiar a austeridade, pois o Haiti sofre uma grave crise econômica, com uma dívida de mais de dois bilhões de dólares e um crescimento limitado. Estima-se que não vá crescer mais de 1% este ano. Segundo a equipe de transição de Moïse, os custos da posse chegam a um milhão de dólares, um orçamento baixo se comparado com o de seus antecessores, Preval e Martelly, que gastaram, respectivamente, mais de US$ 4 e US$ 2 milhões, respectivamente.

O presidente eleito disse ter convidado seus 53 adversários da campanha presidencial como sinal para abrandar as tensões políticas.

Tensões em fogo brandoApesar de tudo, a temperatura política se mantém elevada, depois que vários membros da oposição denunciaram uma fraude na eleição de Moïse no primeiro turno presidencial.

O empresário bananeiro também é suspeito de lavagem de dinheiro, segundo um informe administrativo que reapareceu depois que parlamentares exigiram o fim da investidura antes da tomada de posse.

O caso teve início em 2013 como um processo de rotina da Unidade Central de Informação Financeira (UCREF), cujo chefe, Sonel Jean-François, enviou um informe secreto sobre as investigações à Justiça, segundo revelou em 18 de janeiro.

No entanto, o juiz encarregado não tomou qualquer iniciativa até que quatro senadores da oposição exigiram informação sobre as descobertas da investigação.

O juiz enviou suas conclusões ao procurador do Estado, que até agora não fez declarações públicas.

O suspenso socava a frágil popularidade de Moïse no Haiti, onde o mal-estar da população se vincula à escassa campanha durante as eleições e à desconfiança sobre a capacidade dos governantes em melhorar as condições de vida no país.

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