Trump pressiona imprensa e juízes antes de exame de decreto migratório

Washington, 8 Fev 2017 (AFP) - A audiência da corte de apelações sobre o futuro do polêmico decreto anti-imigração do presidente Donald Trump ocorria nesta terça-feira (7) após o mandatário acusar a imprensa e a Justiça de subestimarem uma ameaça terrorista.

Três juízes federais do Tribunal Federal de Apelações de San Francisco escutavam os argumentos do Departamento de Justiça, representante do governo, e de Noah Purcell, representante do estado de Washington, que conseguiu suspender no tribunal o decreto que proíbe a entrada no país de imigrantes e refugiados de sete países de maioria muçulmana.

"O presidente determinou que há um risco real" e "a corte do distrito invalidou o julgamento do presidente sobre o nível de risco", disse August Flentje.

Antes da audiência, Trump, acompanhado por delegados de polícia, insistiu que sua ordem era de "sentido comum" e "muito importante para o país" a fim de protegê-lo, segundo ele, de ataques terroristas.

Os três juízes não devem dar uma sentença nesta terça-feira, mas durante a semana.

"A questão esta tarde está relacionada com a suspensão temporária (do decreto), não tem nada a ver com a base do assunto", disse Sean Spicer, porta-voz da Casa Branca, durante seu encontro com a imprensa. "Por isso, estamos confiantes" sobre a decisão judicial, assinalou.

Mas o presidente, que multiplicou os tuítes contra o juiz de Seattle que suspendeu a aplicação do decreto e o sistema judiciário em geral, está pronto para aceitar uma nova derrota nos tribunais?

"É claro, o presidente respeita o judiciário, mas tem o poder de fazer o necessário para garantir a segurança do país", respondeu o porta-voz.

Em um tuíte, Trump havia tentado responsabilizar o juiz por um eventual ataque terrorista em solo americano. "Se algo acontecer, tornem-o responsável, assim como todo o sistema judiciário", escreveu, gerando críticas em todo o país.

"Checagens adicionais"Na segunda-feira, Trump acusou a imprensa "desonesta" de subestimar a ameaça do terrorismo, assinalando que teriam ocultado ataques de grupos extremistas.

A Casa Branca logo publicou uma lista de 78 ataques, que, segundo indicou, foram "executados ou inspirados pelo" grupo extremista Estado Islâmico, assinalando que a maioria não recebeu a devida cobertura da mídia.

"Entendo a completa desonestidade da mídia melhor que ninguém e deixo as pessoa cientes", declarou nesta terça-feira.

Em documentos entregues ao tribunal na segunda-feira, o Departamento de Justiça assinalou que a assinatura de decretos constitui um "exercício legal" da autoridade presidencial e qualificaram a decisão do juiz como "enormemente excessiva".

Se o tribunal em San Francisco mantiver a suspensão, a batalha legal será levada para a Suprema Corte, que necessitará de uma maioria de cinco contra três para rejeitar a sentença do Tribunal de Apelações.

Mas esse cenário é uma incógnita: as oito cadeiras do Supremo Tribunal estão divididas entre quatro conservadores e quatro progressistas.

O novo secretário de Segurança Interior, John Kelly, defendeu a medida nesta terça-feira no Congresso, ainda que tenha reconhecido os erros na implementação.

O decreto "nos dá a oportunidade de parar e decidir quais checagens adicionais poderíamos fazer ao que já temos, que, na minha opinião, é um mínimo", disse Kelly à Comissão de Segurança Interior da Câmara de Representantes.

E acusou os juízes de viverem em "um vácuo". "Se acontecer algo ruim, por terem deixado alguém entrar, não perguntarão ao juiz por sua sentença, perguntarão a pessoas como eu", assinalou.

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