Deputados britânicos aprovam o Brexit

Londres, 8 Fev 2017 (AFP) - A Câmara dos Comuns aprovou nesta quarta-feira o início da ruptura com a União Europeia (UE), superando um dos grandes obstáculos para o primeiro divórcio da história do bloco.

O projeto de lei que permite ao governo da primeira-ministra Theresa May notificar oficialmente a saída e iniciar dois anos de negociações recebeu 494 votos a favor e 122 contra. Após essa segunda votação na Câmara dos Comunsm, o projeto ainda terá que passar por duas votações na Câmara dos Lordes, cujos membros, por não serem eleitos, poderiam ignorar a "vontade do povo", mas sob risco de aumentar os pedidos pelo fim da câmara.

Se a lei for aprovada sem problemas e nos prazos previstos, May poderia invocar o Artigo 50 do Tratado de Lisboa quando comparecer à cúpula europeia de Bruxelas no dia 9 de março.

Sete meses depois da inesperada vitória do Brexit no referendo, a votação na Câmara dos Comuns será outra punhalada à última esperança daqueles que não aceitavam o resultado: que os tribunais ou o Parlamento impedissem a ruptura.

Uma das figuras da campanha a favor do Brexit, Nigel Farage, ex-líder do partido antieuropeu e anti-imigração UKIP, comemorou: "nunca sonhei que veria (a Câmara d) os Comuns votando esmagadoramente a favor de abandonar a UE".

Já o deputado liberal-democrata Nick Clegg lamentou que "o governo tenha tomado a decisão política de buscar um Brexit duro e destrutivo, e o fato de que a lei tenha sido aprovada sem emendas lhe dá um cheque em branco".

Os deputados arrancaram uma concessão do governo em troca de não impedir a vontade popular: a possibilidade de votar sobre o rascunho do acordo de saída da UE.

De qualquer maneira, o governo destacou que uma rejeição do Parlamento não impediria a saída da UE. Desta maneira, as opções do Legislativo seriam aceitar o que for negociado por May ou abandonar a UE sem acordo.

Os antieuropeus como 'jihadistas'A ideia do governo era acabar com a possibilidade de uma rebelião em sua ala conservadora, que abrange deputados pró-europeus cada vez mais descontentes com o nível de escrutínio das negociações que May está disposta a tolerar.

Um deles, a deputada Claire Perry, chamou os antieuropeus de "jihadistas": "àz vezes sinto que estou sentada com colegas que são como jihadistas apoiando um Brexit duro" quando dizem coisas como "'não há Brexit suficientemente duro!".

Mais problemas para conter uma rebelião são registrados no Partido Trabalhista, o maior da oposição, cujo líder, Jeremy Corbyn, apoiado pela militância mas sempre questionado por seus deputados, tem dificuldades para ver acatada sua ordem de voto a favor da ruptura e 51 deputados desobedeceram.

A eles se uniram os deputados nacionalistas escoceses e o pequeno Partido Liberal Democrata. Mas a soma destes não pôde superar a maioria absoluta de deputados conservadores (329 de 650).

O descontentamento dos escocesesNa terça-feira, o Parlamento escocês votou por esmagadora maioria sua rejeição à saída britânica da União Europeia (UE), com uma consulta que não afetará o processo do Brexit, mas que aumenta ainda mais a tensão na relação com Londres.

Depois dessa votação simbólica, o governo semiautônomo advertiu que a Escócia, a mais pró-europeia das regiões britânicas, não será "humilhada".

Quase 75% dos legisladores escoceses, de todo o espectro político, pronunciaram-se contra o Brexit.

O ministro de Negociações da Escócia em seus vínculos com a Europa e parlamentar local, Michael William "Mike" Russell, disse que seu governo "nunca permitirá que a Escócia seja humilhada, e sua escolha democrática rejeitada".

"Nunca, nunca daremos as costas à Europa e ao mundo", garantiu.

Os líderes dos principais partidos britânicos haviam prometido aos escoceses que seriam considerados "sócios em termos de igualdade" se ficassem no Reino Unido no referendo de independência de 2014, como de fato aconteceu.

Mas no plebiscito sobre a UE, a Escócia votou a favor de continuar na Europa, ao contrário de Gales e da Inglaterra, que inclinaram a balança.

"Essa votação é mais simbólica", declarou a chefe do governo regional, Nicola Sturgeon, do Partido Nacional Escocês (SNP).

"É uma prova-chave para saber se a voz da Escócia é ouvida, e se nossos desejos podem ser acomodados", acrescentou.

Sturgeon ameaçou convocar um novo referendo de independência, mas as pesquisas não apontam o apoio necessário da população para a secessão. Além disso, o governo de Theresa May é contra. Para essa consulta, seria necessária a permissão do Parlamento nacional.

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