Santos pede investigação 'a fundo' sobre dinheiro da Odebrecht em sua campanha

Bogotá, 8 Fev 2017 (AFP) - O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, pediu nesta quarta-feira ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE), máxima autoridade eleitoral do país, que investigue "a fundo" e "rápido" o suposto dinheiro da Odebrecht que teria financiado sua campanha de reeleição.

"Solicito ao @CNE_COLOMBIA (Conselho Nacional Eleitoral) uma investigação a fundo o mais rápido possível para que saia à luz pública toda a verdade no caso Odebrecht", escreveu o presidente em sua conta no Twitter.

O procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, anunciou nesta terça-feira a abertura de um inquérito sobre a doação de um milhão de dólares à campanha de reeleição de Santos em 2014 por parte do ex-senador Otto Bula, detido em meados de janeiro por supostamente ter recebido dinheiro da Odebrecht em troca de licitação de obra pública.

Em uma coletiva na manhã de hoje, Martínez disse que o Ministério Público não tem prova física que comprometa a campanha do presidente, eleito em 2010 para um primeiro período de quatro anos, com dinheiro da empreiteira proveniente de um suborno a Bula.

"O Ministério Público não tem uma prova física da entrega de dinheiro", disse o procurador.

O procurador assegurou nesta quarta que o inquérito se baseia na declaração de Bula, sob juramento, na qual afirmou ter dado 900.000 dólares, supostamente uma parte do suborno de 4,6 milhões de dólares, ao gerente da campanha de Santos, Roberto Prieto, através de um intermediário.

O ex-congressista "não vincula em nada o senhor presidente", afirmou o procurador.

O testemunho de Bula "é prova suficiente" para que o MP solicite ao Conselho Nacional Eleitoral que investigue se ocorreram irregularidades no financiamento da campanha, acrescentou.

Na Colômbia, o ente acusador não faz a investigação de irregularidades eleitorais.

"Provas de fluxos financeiros"Martínez afirmou que o MP tem "prova documental dos fluxos financeiros" usados por Bula para monetizar um milhão de dólares provenientes do Brasil, dos quais "descontou" 10%, para convertê-los em pesos colombianos, que supostamente foram destinados à candidatura de Santos.

O governo negou na noite de terça-feira as acusações de Bula e as classificou de "estratégia" do uribismo para "defender-se atacando com mentiras", após a vinculação de funcionários do governo de Álvaro Uribe (2002-2010), férreo opositor de Santos, com atos de corrupção da Odebrecht no país.

Em uma declaração da Casa de Nariño, a sede presidencial, o secretário de Transparência da Presidência, Camilo Enciso, se referiu a Bula como um "obscuro personagem" e o vinculou com um grupo narcotraficante.

O MP afirma que Bula foi contratado pela Odebrecht por uma "comissão de êxito" de 4,6 milhões de dólares, para favorecer uma licitação do contrato da Rota do Sol setor 2, um trajeto de mais de 500 quilômetros que une o centro do país ao Caribe, cuja execução foi iniciada no início do mandato de Uribe.

Bula, suplente entre 1998-2002 e 2002-2006 de Mario Uribe, primo do ex-presidente Uribe e preso por vínculos com paramilitares, se declarou inocente, mas segundo o procurador ele negocia com o MP.

A Odebrecht, envolvida em uma trama de corrupção em três continentes, teve três convênios com o Estado colombiano, informou o governo.

Até o momento, duas pessoas foram capturadas por subornos pagos pela Odebrecht: Bula e o ex-vice-ministro de Transporte de Uribe, Gabriel García, que se declarou culpado de receber 6,5 milhões de dólares em subornos.

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