Senado dos EUA confirma secretária de Educação com voto de desempate

Washington, 8 Fev 2017 (AFP) - O Senado dos Estados Unidos confirmou nesta terça-feira (7) a multimilionária Betsy DeVos como nova secretária de Educação, depois de uma votação que foi desempatada pelo vice-presidente Mike Pence, permitindo o avanço da polêmica indicação.

A votação na Câmara Alta do Congresso estava empatada em 50 votos a favor e 50 contra, pois as senadores republicanas Susan Collins e Lisa Murkowski se negaram a apoiar DeVos.

O desempate foi possível graças à intervenção do vice-presidente Mike Pence, cujo apoio garantiu a maioria dos votos. Segundo o historiador do Senado Daniel Host, foi a primeira vez na história que um vice-presidente votou para confirmar a nomeação de um membro do gabinete presidencial. Pouco comum, a ação é permitida pela Constituição em caso de empate.

"O vice-presidente vota pela afirmativa, e a nomeação está confirmada", afirmou Pence, ao dirimir a questão.

Instantes depois, o porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, aplaudiu a decisão e declarou que DeVos "garantirá que cada estudante tenha acesso a uma boa escola", independentemente de ser pública, ou privada.

Os democratas e os sindicatos educacionais ficaram alarmados com o anúncio, feito pelo presidente, de que escolheria DeVos para comandar o Departamento de Educação.

O líder democrata, Chuck Schumer, foi contundente depois que a futura secretária se apresentou em 17 de janeiro em uma sessão do Senado, que estudava sua confirmação.

"É a menos qualificada de um governo historicamente pouco qualificado", afirmou.

DeVos, de 59 anos, é uma empresária bem-sucedida e filantropa, que nos últimos dez anos tem defendido um sistema alternativo para desenvolver escolas privadas usando recursos públicos, embora não tenha estudado em escola pública, nem trabalhado no setor.

Em uma inédita maratona parlamentar, os senadores democratas se sucederam desde o meio-dia de segunda-feira para denunciar a "incompetência" da escolhida de Trump, tachando-a de "inimiga da educação pública", na tentativa de fazer sua nomeação fracassar.

"Não tem nenhuma experiência", lamentou o congressista Chris Coons.

Mas seus partidários apoiaram a chegada desta "outsider" como melhor opção para remodelar o deficiente sistema educacional americano, à sombra de outros países desenvolvidos.

O próprio Trump saiu nesta terça-feira em sua defesa, assegurando que "os democratas do Senado protestam para continuar mantendo o fracassado status quo".

"Betsy DeVos é uma reformista e será uma grande secretária de Educação para nossos filhos!", escreveu no Twitter.

Na sessão de confirmação, o senador Tim Scott defendeu a candidata com um argumento original. Ele admitiu que a empresária não tem qualificação, nem experiência na área. A vantagem disso - alegou - é que ela poderá trazer "um novo olhar" para o setor.

Doadora republicanaEmbora não seja muito conhecida em nível nacional, DeVos forma com o marido, o bilionário Dick DeVos (dono da Amway), um dos casais de maior influência política no estado do Michigan (norte), onde ela chegou a presidir o braço local do Partido Republicano.

Seu marido se lançou candidato a governador em 2006. Depois de seu fracasso eleitoral, o casal se tornou o primeiro doador do partido em nível estadual, apoiando economicamente muitos candidatos e impulsionando a própria reforma educacional.

Michigan é um laboratório para a criação das chamadas "charter schools", escolas privadas financiadas em parte com recursos públicos, que oferecem aos alunos uma "opção" alternativa aos centros públicos, na mira dos conservadores pela mão dos sindicatos e pela impossibilidade de demitir os professores.

Em 2010, DeVos fundou a American Federation for Children (Federação Americana para as Crianças) em seu empenho para divulgar seu movimento em todo o país.

Durante sua apresentação ao Senado, em janeiro, ela se negou a se comprometer a "não privatizar as escolas públicas, nem cortar um centavo do orçamento da educação pública".

DeVos também apoia a educação em casa, uma alternativa que muitos conservadores cristãos preferem à educação laica.

"Acredito firmemente que os pais devem ter a possibilidade de escolher o melhor entorno educacional para seus filhos", afirmou na ocasião.

A educação nos Estados Unidos depende dos estados e das cidades, tanto para definir os programas escolares quanto para contratar professores, mas o titular desta pasta é quem gerencia o orçamento anual de US$ 68 bilhões.

O Senado pretende votar esta semana as confirmações de outros três indicados por Trump: o senador Jeff Sessions (Departamento de Justiça), o representante Tom Price (Saúde) e o banqueiro Steve Mnuchin (Tesouro).

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