Centros de Planejamento Familiar na mira da ofensiva antiaborto de Trump

Phoenix, Estados Unidos, 9 Fev 2017 (AFP) - Os congressistas republicanos preparam uma legislação para eliminar os fundos federais destinados a organizações que realizam abortos, como o Centro de Planejamento Familiar (Planned Parenthood), que tem cerca de 650 unidades em todo o país e atende 2,5 milhões de usuários.

A maioria das pacientes não os procuram para fazer aborto, e sim em busca de uma consulta ginecológica ou de medicina preventiva.

A organização, que acaba de completar 100 anos, é o principal alvo de uma medida legislativa republicana em estudo que visa a proibir qualquer financiamento federal para centros que praticam interrupções voluntárias de gravidez (IVE, sigla em inglês).

A Planned Parenthood (PP) afirma que as IVE representam apenas 3% de seus atendimentos e que os cortes de financiamento podem ameaçar o acesso à saúde de milhões de mulheres.

O governo de Donald Trump é um dos mais críticos ao aborto da história moderna dos Estados Unidos, com seu vice Mike Pence liderando essa posição.

"A vida está vencendo nos Estados Unidos", disse Pence em uma marcha, em Washington, contra o aborto, um claro sinal do rumo tomado pela nova administração.

O site da organização diz que são cerca de 650 centros médicos em todos os Estados Unidos e 2,5 milhões de pacientes, sendo que 1,5 milhão se beneficiam "de um tipo de seguro médico-federal" como os programas de cobertura sanitária para pessoas de baixa renda Medicaid ou Title X. Se o projeto republicano for adotado, os beneficiários desses programas não poderão mais frequentar o PP.

Conta com um orçamento de 1,3 bilhão de dólares anuais, dos quais 43% procedem de fundos governamentais.

A organização também está presente na América Latina e na África através de associações ou centros médicos locais para proporcionar anticoncepcionais e acesso às IVE "em segurança e onde são legais".

Em 2014, 15% dos pacientes da Planned Parenthood eram negros e 23% latinos.

Cerca de 54% dos centros da PP se encontram nas áreas ruais ou em zonas de carência de atendimento médico.

Em 2013, antes de um endurecimento legislativo, havia 40 centros que praticavam a IVE no Texas. Desde então, 21 fecharam.

Depois disso, um estudo universitário publicado no New England Journal of Medicine constatou que a lei se traduziu em "um aumento desproporcional da taxa de nascimento entre as mulheres cobertas pelo Medicaid, provavelmente gestações não desejadas".

No condado de Scott, no estado de Indiana - do qual Pence foi governador -, um centro da Planned Parenthood que fazia testes de HIV fechou por falta de financiamento.

"Como mulher, me sinto atacada", afirma Shelby Weathers enquanto espera sua vez num centro da Planned Parenthood para ser atendida.

"É desanimador ver como estão tentando eliminar o acesso à saúde", acrescentou a moça de 18 anos, que recebe tratamento anticoncepcional da sede de Phoenix (Arizona).

Deanna Wambach, médica-chefe nessa sede, se declara preocupada com os cortes de fundos do governo.

"Será devastador para as mulheres. Só no Arizona atendemos a 33.000 pacientes", lamentou.

(Fontes: Planned Parenthood, New England Journal of Medicine, Guttmacher Institute).

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