Justiça avalia prisão para Toledo por subornos da Odebrecht no Peru

Lima, 9 Fev 2017 (AFP) - Um tribunal peruano avaliou nesta quinta-feira (9) um pedido de prisão e possível ordem de captura internacional contra o ex-presidente Alejandro Toledo, acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht para favorecê-la em uma obra.

O Ministério Público sustenta o caso nas confissões do ex-representante da empresa brasileira no Peru, Jorge Barata, que fez um acordo com a Justiça e delatou o ex-governante e seu cúmplice e amigo, Josef Maiman, em cujas contas offshore foi depositado o dinheiro, segundo a acusação.

"A empresa Odebrecht, cumprindo o pacto criminoso, realizou diversos depósitos nas contas offshore, através do senhor Maiman Rapaport", explicou o procurador Hamilton Castro, encarregado do caso.

De acordo com o procurador, o pedido inicial de Toledo era de US$ 35 milhões, mas a empresa lhe pagou somente US$ 20 milhões. Embora a empresa tenha ganhado a licitação para construir a rodovia, Toledo não modificou as bases do concurso para prejudicar seus concorrentes.

Como explicou Castro durante a audiência nesta quinta-feira, o suborno foi pago em 18 partes - entre junho de 2006 e junho de 2010 -, mesmo depois de Toledo ter deixado o cargo.

"Compareço a seu escritório a fim de solicitar a prisão preventiva para o senhor Alejandro Toledo Manrique, pelo prazo de 18 meses", disse Castro ao tribunal.

A decisão fica nas mãos do juiz Richard Concepción, do primeiro Juizado de Investigação Preparatória Nacional. Toledo se encontra no exterior, mas se sua detenção for confirmada, poderá ser pedida sua captura internacional.

- 'É um abuso'"O pedido do procurador não tem argumento. Uma coisa é que se investigue. O país quer saber o que aconteceu. Mas, daí a se exceder determinando uma prisão preventiva, é um abuso", disse Heriberto Benítez, um dos advogados do ex-presidente.

Sobre o perigo de fuga do ex-presidente, o procurador se baseia em recentes declarações dadas por Toledo ao programa "Cuarto Poder", onde garantiu que voltará ao Peru apenas se for para se apresentar a uma "Justiça justa".

Castro garante que, na casa do ex-presidente em Lima, alvo de busca e apreensão no último sábado (4), foram encontrados cartões das empresas offshore para a qual a Odebrecht fez as transferências de dinheiro.

O procurador explicou que quem acusa o ex-presidente "não é um colaborador qualquer", e sim "o representante da empresa corruptora", Jorge Barata.

O dinheiro foi depositado para uma empresa offshore, a Ecoteva, formada pela Maiman e pela sogra de Toledo, Eva Fernenbug, na Costa Rica. Dali foram feitas as transferências para o pagamento de hipotecas e de propriedades no Peru, segundo o MP.

O caso da Ecoteva já era investigado pela Justiça há vários anos, mas não se pôde determinar de onde foi obtido o dinheiro. Com a confissão da Odebrecht, o círculo se fecha.

Toledo, que há alguns dias se encontra em Paris apresentando um livro, negou todas as acusações em uma entrevista televisiva, embora tenha admitido que seu amigo Maiman lhe emprestou dinheiro. Uma primeira versão de Toledo assegurava que o dinheiro para seus imóveis vinha de um empréstimo de sua sogra por uma indenização após o Holocausto nazista. Essa afirmação foi logo desmentida.

A Odebrecht reconhece que pagou US$ 29 milhões no Peru ilegalmente entre 2005-2014, período que corresponde aos governos de Toledo, Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

Até agora, há três ex-funcionários do governo de García na prisão, entre eles um vice-ministro de Comunicações e sua namorada - todos eles por, supostamente, aceitarem um suborno de US$ 7 milhões para favorecer a empreiteira com a obra da Linha 1 do Metrô de Lima.

Já Humala e sua mulher, Nadine Heredia, que enfrentam restrições para sair do país, são investigados por lavagem de ativos por financiarem sua campanha eleitoral com dinheiro procedente da Venezuela e do Brasil.

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