Procuradoria panamenha faz buscas na Mossack Fonseca por casos ligados à Lava Jato

No Panamá

  • Eduardo Grimaldo/Reuters

    Escritório da Mossack Fonseca na Cidade do Panamá foi alvo de buscas

    Escritório da Mossack Fonseca na Cidade do Panamá foi alvo de buscas

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, recebeu doações da empreiteira Odebrecht - declarou nesta quinta-feira (9) seu ex-ministro-conselheiro e fundador do escritório de advocacia Mossack Fonseca, Ramón Fonseca Mora, cujos escritórios foram atingidos pelo escândalo da empresa brasileira.

"Para mim, o presidente Varela - que caia um raio sobre a minha cabeça se eu estiver mentindo - disse que havia aceitado doações da Odebrecht, porque não podia brigar com todo mundo", disse Fonseca a jornalistas, momentos antes de entrar para depor à Procuradoria.

O fundador da empresa Mossack Fonseca foi ministro-conselheiro do governo de Varela e dirigente do Partido Panamenho (direita).

No ano passado, viu-se obrigado a pedir demissão após o escândalo do "Panamá Papers", um vazamento de documentos que revelou como advogados criaram empresas para evadir impostos em escala mundial, ou para esconder dinheiro procedente de atividades ilícitas.

A Procuradoria panamenha fez buscas nesta quinta-feira nos escritórios da Mossack Fonseca em uma operação ligada à "Lava Jato" e aos "Panamá Papers", informou a entidade judicial.

A operação Lava Jato revelou subornos de grandes construtoras a funcionários públicos na América Latina entre 2005 e 2014.

Vários países da América Latina estão realizando investigações sobre supostos subornos da Odebrecht em troca de contratos públicos.

Tribunais de uma dezena de países como México, Argentina, Peru, Panamá e Uruguai solicitaram informações aos procuradores brasileiros para investigar localmente os contratos da empreiteira.

Por mais de uma década, a empresa manteve este "esquema de corrupção em massa", pagando cerca de US$ 800 milhões em subornos a funcionários de governos em três continentes, de acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Por esse caso, a Procuradoria do Peru pediu a prisão do ex-presidente Alejandro Toledo, enquanto que, na Colômbia, acusam a campanha do presidente Juan Manuel Santos de ter recebido financiamento da Odebrecht.

No Panamá, a construtora pagou, entre 2010 e 2014, mais de US$ 59 milhões em subornos em troca de contratos avaliados em mais de US$ 175 milhões, segundo a mesma fonte.

Mario Martinelli, irmão do ex-presidente Ricardo Martinelli, teve de prestar depoimento sobre o caso. Os filhos e vários ex-funcionários do ex-presidente também foram mencionados no processo.

Em sua conta do Twitter junto com seu sócio, Jürgen Mossack, Fonseca Mora disse que não têm "nada a ver com a Odebrecht, nem com a Lava Jato".

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