Secretário de Justiça dos EUA assume em meio a críticas

Washington, 10 Fev 2017 (AFP) - O polêmico legislador Jeff Sessions prestou juramento nesta quinta-feira (9) como secretário americano da Justiça, em um ambiente tomado por constantes e pesadas críticas do presidente Donald Trump a magistrados e ao Sistema Judiciário.

Sessions, um senador ultraconservador de 70 anos cuja confirmação no Senado americano provocou acalorados debates, disse que as prioridades de sua gestão serão uma resposta à criminalidade e às ameaças de ataques. Garantiu ainda que colocará fim à "ilegalidade" entre os imigrantes.

"Precisamos de um sistema legal de migração, um que sirva aos interesses dos americanos. Isso não é equivocado, não é imoral, nem indecente", afirmou o novo procurador-geral.

De acordo com Sessions, "temos de acabar com a ilegalidade" entre os imigrantes, porque se trata de uma situação que "ameaça nossa segurança pública".

O novo responsável pelo Sistema Judiciário americano disse que os Estados Unidos "vivem um problema de criminalidade" e acrescentou que se trata de uma "tendência perigosa e permanente".

Para enfrentar a onda de criminalidade e de "ameaças terroristas", o Departamento de Justiça "mobilizará seu talento e habilidades da forma mais eficaz possível", adiantou.

No começo da cerimônia de juramento de Sessions no Salão Oval da Casa Branca, o presidente Donald Trump disse que a posse do novo secretário de Justiça representa uma "nova era" para o país.

"A cerimônia deve ser vista como uma clara mensagem aos membros de gangues e vendedores de drogas que aterrorizam gente inocente: seus dias acabaram. Uma nova era de justiça começa, e começa agora mesmo", garantiu o republicano.

Sessions foi um dos primeiros aliados de Trump no início da campanha eleitoral do ano passado e, no Senado, defendeu uma "mão de ferro" contra os imigrantes em situação irregular. São pelo menos cerca de 11 milhões vivendo nos Estados Unidos.

Ambiente de tensãoSessions assume o comando do enorme Departamento de Justiça, que tem 113 mil funcionários, incluindo os 93 procuradores federais distribuídos por todo o país.

A cerimônia de juramento de Sessions aconteceu depois do áspero e desgastante debate no Senado para votar sua confirmação no cargo. Também ocorre um um momento de relações tensas entre o Poder Executivo e os organismos da Justiça.

Essa tensão ficou clara na sexta-feira, depois que o juiz federal de Seattle (Washington, noroeste) James Robart suspendeu os efeitos de um decreto presidencial que bloqueava a chegada de imigrantes e refugiados de sete países de maioria muçulmana.

Trump expôs sua fúria em sua conta no Twitter e chamou Robart de "juiz falador".

O caso passou para um Tribunal de Apelações em São Francisco, na Califórnia, que decidiu hoje manter o bloqueio ao decreto do presidente.

Para Trump, a audiência e as perguntas dirigidas aos advogados do Departamento de Justiça foram um ato "vergonhoso". Ele denunciou que os "tribunais parecem estar muito politizados".

"As cortes estão tornando nosso trabalho muito mais difícil", criticou Trump em outra mensagem.

Este cenário não demorou a ter ramificações, a ponto de o magistrado Neil Gorsuch, designado por Trump para ocupar uma cadeira da Suprema Corte, ter admitido a interlocutores que as declarações do presidente eram "desanimadoras" e "desmoralizantes".

De acordo com testemunhos que foram confirmados pela própria equipe de Gorsuch, o magistrado disse isso durante uma reunião com o senador democrata Richard Blumenthal.

Um porta-voz de Gorsuch, Ron Bonjean, confirmou à AFP na quarta-feira o teor das declarações.

Trump voltou ao Twitter para atacar Blumenthal, a quem chamou de mentiroso e acusou de "mentir sobre o que o juiz Gorsuch lhe disse".

Diante da investida presidencial, Bonjean emitiu uma nova nota nesta quinta-feira, alegando que Gorsuch falou em termos gerais sobre críticas ao Sistema Judiciário, e não no caso particular das declarações de Trump sobre Robart.

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