Expansão de colônias 'não é boa para a paz', diz Trump a Israel

Em Jerusalém

  • Dan Balilty/The New York Times

O presidente Donald Trump afirmou nesta sexta-feira ao jornal "Israel Hayom" que o desenvolvimento das colônias israelenses "não é bom para a paz", em sua primeira tomada de posição sobre a questão desde que chegou à Casa Branca.

Num tom claramente distinto ao de algumas de suas declarações de campanha, a fala de Trump parece um apelo direto à contenção, em um momento em que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu parece ter adotado uma postura de aceleração das construções israelenses em territórios palestinos ocupados.

Após 70 anos de conflito, Trump diz "querer a paz" e um acordo "bom para todas as partes". Mas israelenses e palestinos devem se mostrar "razoáveis", declarou ao jornal do magnata Sheldon Adelson, que apoia o governo de Netanyahu.

A chegada do bilionário à Casa Branca foi comemorada por Netanyahu como uma "chance formidável", após oito anos de "pressões" da administração de Barack Obama principalmente a respeito da colonização e do Irã.

Naftali Bennett, importante figura do governo mais à direita da história de Israel, afirmou que a ideia de criar um Estado palestino independente coexistindo com Israel ("solução de dois Estados" defendida pela comunidade internacional) seria enterrada com Trump.

Atualmente sob pressão da direita e confrontado a investigações da polícia por supostos atos de corrupção, Netanyahu anunciou mais de 5.000 habitações na Cisjordânia e o primeiro novo assentamento promovido pelo governo há mais de 20 anos.

Ele também promoveu uma lei que escandalizou os palestinos e sobre a qual parte da comunidade internacional vê um passo em direção a anexação da Cisjordânia ocupada.

Grande parte da comunidade internacional considera os assentamentos israelenses, ilegais sob a lei internacional, como um obstáculo à paz.

A Casa Branca quebrou o silêncio mantido até então na semana passada para sinalizar a Israel que não deveria comprometer os futuros esforços de Trump para tentar solucionar um dos conflitos mais antigos do mundo.

'Desastre'

Ao "Israel Hayom", Trump prometeu ao seu grande aliado israelense "melhores relações" do que com Barack Obama.

Ele afirmou que não quer condenação diplomática de Israel sob o seu mandato e apresenta Netanyahu como um "bom homem" que quer a paz.

Trump evoca as poucas terras disponíveis para a construção, sugerindo que seu governo poderia concordar com novas construções dentro dos assentamentos já existentes. Mas a construção nos assentamentos já estabelecidos também é algo inaceitável para os palestinos.

Neste contexto, os palestinos ficaram profundamente alarmados com uma promessa de campanha de Trump: a transferência da embaixada dos Estados Unidos em Israel de Tel Aviv para Jerusalém.

Tal mudança romperia com a história política dos Estados Unidos, que também é a da grande maioria da comunidade internacional, de que o status de Jerusalém, também reivindicado pelos palestinos como capital do Estado ao qual aspiram, deve ser resolvido por meio de negociações.

A este respeito, na mesma entrevista, Trump afirmou que está estudando "seriamente" a transferência da embaixada, apesar de ainda não ter tomado uma decisão.

"Estou estudando a questão e veremos o que vai acontecer", afirmou, explicando que não se trata de uma decisão fácil e que está pensando nisso "muito seriamente".

Esta entrevista foi concedida pouco antes de uma visita, na próxima semana, do primeiro-ministro israelense a Washignton.

Netanyahu já indicou que o Irã ocuparia um lugar de destaque em suas conversas na próxima quarta-feira com o presidente americano.

Eles têm em comum as críticas virulentas ao acordo internacional com a República Islâmica sobre as suas atividades nucleares. O acordo é "um desastre para Israel", disse Trump.

O primeiro-ministro deve discutir no domingo com seu governo as posições que serão apresentadas a Donald Trump sobre o Irã, o conflito com os palestinos e os assentamentos, segundo noticiou nesta sexta-feira a imprensa israelense.

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