Forças do governo retomam controle de cidade portuária no Iêmen

Adem, 10 Fev 2017 (AFP) - As forças governamentais no Iêmen recuperaram nesta sexta-feira o controle total da cidade portuária de Mokha, marcando pontos em sua ofensiva contra os rebeldes lançada há um mês para reconquistar as regiões sobre o Mar Vermelho.

Após semanas de combates contra os rebeldes xiitas huthis, que fizeram mais de 400 mortos, o porta-voz militar Mohammed al-Naqib afirmou à AFP que os insurgentes foram forçados a fugir de Mokha.

"Concluímos a batalha de Mokha", assegurou, falando da cidade e do porto reconquistados em 23 de janeiro pelas tropas governamentais.

Outras fontes militares leais ao presidente Abd Rabbo Mansour Hadi confirmaram "a retomada total de Mokha".

Apoiados pela força aérea e marinha da coalizão árabe sob liderança saudita, as forças do governo lançaram uma ofensiva em 7 de janeiro para retomar as áreas rebeldes ao longo do Mar Vermelho, incluindo as cidades de Mokha, Hodeida e Midi.

A próxima meta é recuperar as cidades de Hodeida e Midi, perto da fronteira com a Arábia Saudita. "Estamos nos preparando para a segunda fase da batalha do litoral, que é avançar para Hodeida", disse o porta-voz militar.

Marinha americanaDe acordo com fontes militares, a aviação da coalizão árabe realizou "bombardeios intensivos" nas últimas horas na região de Hodeida.

Moradores desta cidade afirmaram que os rebeldes haviam detido nos dois últimos dias sessenta pessoas suspeitas de serem leais a Hadi, reconhecido como o presidente legítimo pela comunidade internacional.

Logo após o início da ofensiva, as forças do governo retomaram a aldeia de Dhubab, localizada a 30 km do Estreito de Bab al-Mandeb, entrada do Mar Vermelho.

Dezenas de milhares de civis ficaram ameaçadas pelos combates em Mokha e a ONU expressou preocupação.

"Os ataques aéreos, bombardeios e ataques de franco-atiradores fizeram dezenas de mortos e feridos entre civis em Mokha", indicou o Coordenador Humanitário da ONU, Jamie McGoldrick.

Por sua vez, a Marinha dos Estados Unidos reforçou a sua presença perto do Iêmen, enviando um navio para patrulhar o Estreito estratégico de Bab al-Mandeb, após um ataque dos rebeldes contra uma fragata saudita.

O Pentágono teme que o conflito no Iêmen se espalhe para as águas do Estreito, um dos pontos mais importantes do tráfego marítimo mundial.

Subnutrição em grande escalaA guerra no Iêmen opõe as forças pró-governo aos huthis, apoiados pelo Irã, que controlam vastos territórios, incluindo a capital Sanaa.

Desde o início da intervenção da coalizão árabe, em março de 2015, para ajudar o regime a deter o avanço dos rebeldes, mais de 7.400 pessoas foram mortas e mais de 40.000 feridas, enquanto uma grave crise humanitária persiste.

Nesta sexta-feira, três agências da ONU pediram ajuda de emergência, a fim de evitar uma "catástrofe" no Iêmen, onde quase dois terços da população está lutando para se alimentar, principalmente devido ao conflito.

De acordo com uma avaliação realizada pela FAO (Agricultura e Alimentação) e o PAM (Ajuda Alimentar), com sede em Roma, bem como Unicef (Infância), 17,1 dos 27,4 milhões de iemenitas estão subnutridos.

Stephen Anderson, diretor do PAM no Iêmen, alertou que 7 milhões de pessoas estavam em risco "de não ser capaz de sobreviver a esta situação, se a mesma continuar".

Toda a tentativa de mediação da ONU no conflito fracassou. A guerra continua, longe dos holofotes e sem qualquer perspectiva de uma solução política.

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