Protestos bloqueiam batalhões da Polícia Militar no Rio

Rio de Janeiro, 10 Fev 2017 (AFP) - Parentes de policiais bloqueavam, nesta sexta-feira (10), a entrada de vários batalhões do Rio de Janeiro pedindo a melhoria das condições de trabalho, causando medo de haver uma onda de violência similar à que deixou mais de 100 mortos no Espírito Santo.

A Polícia Militar do Rio atravessa inúmeras dificuldades. Além da profunda crise financeira que atinge o estado e impede o pagamento integral de seus salários, a luta contra o tráfico já deixou mais de 3.000 policiais mortos desde 1994, número superior às baixas das tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial, segundo estudo recente.

Por serem da classe militar, a Constituição Federal proíbe estes policiais de realizarem greves.

Para superar este obstáculo, parentes dos oficiais bloquearam a entrada de vários batalhões do estado, incluindo o de Choque, onde os policiais não fizeram esforço para tentar sair.

"Estamos protestando para que os policiais recuperem seus direitos, especialmente sua segurança, o pagamento de salários em dia e um melhor equipamento, ao invés de armas inapropriadas e veículos sem manutenção", afirmou do lado de fora do 6º Batalhão da PM uma mulher cujo marido, segundo relata, foi morto no ano passado enquanto trabalhava.

"Já vimos o suficiente", acrescentou outra viúva que ajudava a bloquear a entrada. "Não recebem seus salários, não têm dinheiro, nem sequer têm o que precisam para trabalhar".

Neste local, as mulheres impedem a saída de carros e de qualquer pessoa fardada.

"Se entrarem, não vamos deixar sair", advertiu uma mulher a dois policiais fortemente armados que voltavam para o Batalhão de Choque. Concordaram timidamente e entraram, enquanto outros dois colegas que tentavam sair com suas fardas na mochila foram ordenados a ficar lá dentro. E assim fizeram.

De acordo com a PM, há protestos em 27 dos 100 batalhões do estado, mas em apenas quatro os manifestantes bloqueiam a entrada e saída de veículos.

O porta-voz, Ivan Blaz, disse a jornalistas que 95% do policiais estavam trabalhando normalmente e que a cidade está segura.

Mortes e revoltaEsse protesto é similar ao iniciado há uma semana no Espírito Santo, onde uma greve policial mantém as ruas sem patrulhamento desde sábado (3). Em Vitória e várias outras cidades, familiares de agentes bloqueiam a saída dos batalhões e o caos tomou conta do estado.

Apesar do governo federal ter disponibilizado tropas para conter a situação, foram relatados mais de 120 assassinatos desde o início da greve, assim como roubos e agressões.

A tensão recomeçou nesta sexta, quando as autoridades anunciaram o fracasso das negociações e a abertura de uma investigação contra mais de 700 policiais pelo crime de "motim".

De acordo com o comandante da Polícia Militar do Espírito Santo, Nylton Rodrigues, os policiais permanecem dentro dos batalhões por iniciativa própria e o código penal militar prevê uma pena de entre oito e 20 anos para esse crime.

Enquanto no Espírito Santo os policiais querem um aumento salarial, no Rio reclamam do atraso no pagamento de 2016 e das horas extras, incluindo as que trabalharam durante os Jogos Olímpicos, em agosto.

Atingido também por casos de corrupção, o estado do Rio está com as contas no vermelho e deve realizar um severo plano de austeridade para poder ter acesso a uma ajuda financeira do governo federal. Na quinta-feira (9), a polícia entrou em confronto com manifestantes durante um protesto contra estas medidas.

Com altos índices de violência pelo enfrentamento entre as forças de ordem e traficantes, os boatos de uma greve policial como no Espírito Santo desataram medo entre os cariocas.

As redes sociais rapidamente se encheram de mensagens advertindo os pais para não mandarem seus filhos à escola e que seria melhor ficar em casa. As capas dos jornais amanheceram com títulos de alerta, como "O inferno do Rio" e "Rio desgovernado".

O secretário estadual de Segurança Pública, Roberto Sá, disse ao RJTV que mesmo que os manifestantes tenham seus motivos para protestar, "16 milhões de pessoas não podem ser tomadas como reféns, com o risco de se tornarem vítimas da violência devido a um protesto".

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