Greve da PM prossegue no Espírito Santo, apesar do acordo com autoridades

Rio de Janeiro, 11 Fev 2017 (AFP) - Os policiais do Espírito Santo não retomaram neste sábado suas tarefas de patrulhamento, apesar do acordo alcançado para por fim a uma greve que mergulhou o estado no caos.

Mas uma vez, as famílias dos militares continuavam bloqueando as entradas dos quartéis.

Segundo os termos do acordo, do qual a AFP obteve uma cópia, depois de assinado na noite de sexta-feira pelas autoridades locais, os policiais e bombeiros militares se comprometeram em retomar o serviço na manhã deste sábado, mas a situação permanecia inalterada.

"Conversamos com nossos soldados e pedimos senso comum e que retomem suas atividades. São mais de cem mortos", afirmou o secretário de Direitos Humanos do Espírito Santo, Júlio César Pompeu, falando à Agência Brasil.

No acordo, que não menciona as reivindicações salariais dos agentes, o governo se compromete a realizar promoções dos policiais que merecerem por lei - e que ainda não desfrutavam do novo posto -, assim como formar uma comissão para revisar a carga horária dos trabalhadores.

Na reunião, no entanto, não participaram representantes dos familiares, em sua maioria esposas e viúvas dos militares, que há uma semana bloqueiam a entrada dos quartéis exigindo melhores salários e condições de trabalho para os militares, que, pela Constituição, não têm direito de fazer greve.

"Não podem assinar um acordo entre eles. É um movimento das mulheres dos agentes e nenhuma de nós esteve presente. O movimento continua", explicou a esposa de um policial, citada pelo site G1.

O protesto deixou as ruas da capital Vitória, assim como de várias cidades do estado, sem patrulhamento durante sete dias.

Apesar de o governo federal mobilizar tropas para conter a situação, foram reportados mais de 120 assassinatos desde que começou a greve, assim como saques e outras agressões.

"A situação ainda não se normalizou, mas estamos em um bom caminho. Desde a chegada do Exército, os saques aos comércios pararam e número de homicídios reduziu consideravelmente", afirmou o ministro da Defesa, Raul Jungman.

Jungman esteve este sábado em Vitória para manter uma reunião de crise com as autoridades locais.

O ministro fez um apelo para que "os bons policiais honrem seu uniforme", destacando que "as reivindicações são justas, mas não devem colocar a população em perigo".

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