Partido espanhol Podemos realiza congresso que definirá rumos

Madri, 11 Fev 2017 (AFP) - Entre gritos de "unidade, unidade!", o partido de esquerda espanhol Podemos iniciou, neste sábado (11), em Madri, seu Congresso que decidirá seu futuro entre o atual líder Pablo Iglesias e seu número dois, Inigo Errejón, que defendem projetos muito diferentes.

Milhares de militantes foram ao palácio dos congressos de Vistalegre, entonado pedidos de unidade, mas também o seu tradicional slogan, "Sim, podemos".

Em um breve discurso, Iglesias alertou que "a divisão trabalha para o inimigo", observando que "hoje não falamos a nós mesmos, hoje falamos para um povo".

Pouco depois, Iglesias e Errejón discursaram para defender seus respectivos programas, um dia antes do anúncio do resultado de uma votação interna que irá definir o equilíbrio de poder dentro da formação.

Errejón, de 33 anos, apelou à transversalidade para atrair eleitores de uma esquerda mais moderada, dizendo que devemos inspirar "coragem" e "confiança" para "todo o nosso povo".

Temos um projeto patriótico (...) que leva em conta os desejos, esperanças e sofrimentos do nosso povo", acrescentou Errejón.

"A transversalidade não se parece com os velhos partidos políticos, mas assemelha-se às pessoas que trabalham", observou pouco antes Pablo Iglesias (38 anos), que defende seu programa de priorizar a ação na rua.

Nos últimos meses, as equipes de Errejón e Igrejas travaram uma forte rivalidade.

"Errejón tem se dedicado a criar um partido dentro do partido", e isso deixa "cicatriz", criticou Rafael Burguillo, que diz apoiar Igrejas.

"É um partido muito jovem" e "é muito difícil de organizar", elogiou à AFP Maria Garcia Martinez, auxiliar de enfermagem de 60 anos.

Entre gritos constantes de "unidade, unidade!", Miguel Urban, líder de uma terceira corrente, anti-capitalista, declarou em um discurso vigoroso que "aqui em Vistalegre não há inimigos", mas que "os inimigos estão fora de Vistalegre e são poderosos".

Em Vistalegre os militantes vão definir a liderança da terceira força política espanhola, nascida em 2014 no calor da crise econômica e que governa em coalizão várias grandes cidades, incluindo Madri, Barcelona, Zaragoza, La Coruña e Cádiz.

As pesquisas apontam Podemos como segunda força política. Contudo, nas duas eleições legislativas organizadas na Espanha nos últimos 14 meses foi incapaz de superar os socialistas do PSOE, imersos em um crise de liderança.

Desde 4 de fevereiro e até a noite deste sábado, os militantes do Podemos são convidados a votar on-line nos programas de quatro concorrentes, bem como nos assentos do órgão de diretivo (chamado Conselho Cidadão) e da secretaria-geral.

Iglesias quer seguir como secretário-geral do partido, e só compete com Juan Ignacio Moreno Yagüe, deputado no parlamento regional da Andaluzia. Errejón não quis concorrer a este posto.

Iglesias alertou, porém, que renunciará se o seu programa perder, o que abriria uma segunda crise.

Nos meses que antecederam o congresso, a figura política de Igrejas se viu envolvida em uma polêmica, sendo acusado pelos apoiantes de Errejón e os anti-capitalista de concentrar muito poder dentro da organização.

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