Primeira onda de operações contra imigrantes clandestinos da era Trump

Washington, 12 Fev 2017 (AFP) - As autoridades americanas prenderam e expulsaram, na semana passada, centenas de pessoas em situação irregular consideradas "prioritárias". Apresentadas como "de rotina", essas operações são as primeiras da era Trump e espalharam pânico nas comunidades de imigrantes.

As operações dos agentes do Serviço de Imigração (ICE) - a agência federal especializada em deportações - tiveram como alvo os lares de imigrantes clandestinos em Los Angeles, Nova York, Chicago, Austin e em outras cidades.

"Os alvos dessas operações não diferem das detenções seletivas e de rotina feitas diariamente pelas equipes de busca de fugitivos", disse à AFP a porta-voz do ICE, Jennifer Elzea.

Segundo o jornal The Washington Post, a quantidade de detenções chega a várias centenas.

Em Los Angeles, o diretor local do ICE, David Marin, disse à imprensa que 160 pessoas foram detidas e, delas, 75% têm pesadas condenações. Outras - sem antecedentes penais - foram detidas na mesma batida, completou.

Na sexta-feira à noite, 37 indivíduos em situação ilegal no país já haviam sido expulsos para o México.

"As matérias (da imprensa) que evocam controles de estrada, ou operações aleatórias são falsas, e isso é perigoso e irresponsável", denunciou Marin, segundo o jornal Los Angeles Times, ressaltando que seus serviços realizam, com frequência, esse tipo de operação seletivas, como fizeram em julho de 2016 e em agosto de 2015".

As detenções - realizadas em residências e locais de trabalho - provocaram a mobilização de legisladores nas regiões afetadas, em particular na Califórnia e em Los Angeles, onde o instituto de pesquisa Pew considera que haja cerca de 1 milhão de pessoas em situação irregular.

Estima-se que a população nessa condições nos Estados Unidos chegue a 11 milhões de pessoas.

"A mudança de política do presidente Trump trai nossos valores", protestou a senadora da Califórnia, Dianne Feinstein.

As mesmas operações estão sendo realizadas em Austin, no Texas, onde vivem 100.000 pessoas em situação irregular.

Em Nova York, cidade que abriga a maior população de imigrantes nessa condição (1,15 milhão, segundo o Pew), centenas de pessoas foram às ruas perto dos escritórios dos serviços de imigração.

Em um decreto sancionado em 25 de janeiro, o presidente Donald Trump priorizou a expulsão dos imigrantes em condição clandestina com antecedentes penais, ou acusados de terem cometido crimes.

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