Trump e premiê japonês falam do futuro do mundo jogando golfe

West Palm Beach, Estados Unidos, 11 Fev 2017 (AFP) - Donald Trump e Shinzo Abe se reencontraram, neste sábado (11), para jogar golfe e conversar sobre a posição dos Estados Unidos na Ásia, uma questão sobre a qual o presidente americano mostrou uma virada radical nas últimas horas.

Depois de se reunirem na Casa Branca, os dois dirigentes viajaram juntos a bordo do Air Force One de Washington para a Flórida, para continuar conversando e jogar uma partida no Club de Golfe Internacional Trump de West Palm Beach.

Trump tuitou uma foto, na qual ele aparece com um boné branco fazendo um "high five" com o dirigente japonês.

"Passo um momento excelente, recebendo o primeiro-ministro Shinzo Abe nos Estados Unidos", acrescentou Trump.

O primeiro-ministro japonês, que reconheceu que a habilidade do presidente americano com os tacos é melhor do que a sua, afirmou que a partida servirá para que "tenha mais tempo de falar com Donald sobre o futuro do mundo e o futuro da região".

Essa reunião esportiva tem um significado particular para Abe, já que há mais de meio século seu avô, Nobusuke Kishi, então primeiro-ministro, compartilhou sua paixão pelo golfe com o presidente americano da época, Dwight Eisenhower.

Nenhum governante passou tanto tempo com Trump como Abe desde que o magnata chegou ao poder.

Na primeira vez, reuniram-se na Torre Trump de Nova York, dias depois da vitória presidencial. Na sexta-feira (10), passaram o dia na Casa Branca, em Washington, viajaram e jantaram na Flórida.

Suas mulheres, Melania Trump e Akie Abe, visitaram juntas os jardins japoneses do Museu Morikami, de Palm Beach.

A estratégia de Trump sobre a Ásia deu uma guinada radical nas 24 horas, depois de provocar mais uma polêmica com seus comentários inconvenientes durante a campanha eleitoral e as semanas de transição.

Na noite de quinta-feira (9), o presidente republicano falou por telefone pela primeira vez com seu colega chinês, Xi Jinping, a quem prometeu respeitar "o princípio de uma única China" e proibir qualquer contato diplomático com Taiwan.

Há apenas algumas semanas, Trump havia declarado que todos os temas estavam sobre a mesa de discussão, incluindo o da política de "uma única China", colocando em dúvida uma tradição que prevaleceu durante décadas nos Estados Unidos.

Já na sexta-feira (10), Trump garantiu a Abe que a aliança entre seus países é a "pedra angular da paz e da estabilidade na região do Pacífico".

Outra fonte de satisfação para o Japão: em uma nota comum, ambos reafirmaram que o tratado de segurança bilateral se aplicava ao arquipélago de Senkaku, também disputadas pela China.

Abe deve voltar para o Japão no domingo de manhã.

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