Iglesias vence eleição interna do partido de esquerda espanhol Podemos

Madri, 12 Fev 2017 (AFP) - Pablo Iglesias foi reeleito com folga neste domingo como secretário-geral do Podemos e seu programa foi aprovado na votação interna que definiu o rumo do jovem partido espanhol de esquerda, a terceira força política do país.

O carismático Iglesias, de 38 anos, foi ratificado no cargo com cerca de 90% dos votos dos mais de 155.000 militantes que participaram nas eleições internas.

Mas, o mais importante, conseguiu impor uma maioria de seus candidatos na direção e também foram ratificados seus programas para o futuro do partido, segundo foi anunciado durante o congresso da formação.

Desta maneira, o professor de Ciências Políticas venceu o duelo com seu número dois, Íñigo Errejón, que enfrentou o chefe do partido em uma acirrada disputa sobre os caminhos que a formação deveria seguir.

"Há um mandato unânime para este conselho, para este secretário-geral: unidade e unidade", afirmou Iglesias, depois de conhecidos os resultados.

Milhares de simpatizantes se reuniram desde sábado no palácio dos Congressos de Vistalegre, em Madri.

Os militantes desta formação nascida em 2014 no calor dos protestos contra a austeridade imposta em meio à crise econômica acompanharam quase atônitos o choque frontal entre Iglesias e seu número dois.

Iglesias e Errejón, amigos há 14 anos desde a universidade, mantiveram um duelo muito midiático sobre o futuro do Podemos, que, segundo as últimas pesquisas, pode se impor como a segunda força política, à frente dos socialistas e atrás do Partido Partido Popular (conservador, situação).

Errejón, de 33 anos, defendia um conceito de transversalidade para captar eleitores de uma esquerda mais moderada, Iglesias defendia priorizar a ação antiausteridade nas ruas.

Errejón também buscava o trabalho parlamentar, com alianças com os socialistas, para poder se impor ante o partido conservador em minoria.

Durante o congresso, os militantes insistiram na necessidade de superar as diferenças de visão em uma formação que dispõe em coalizão com os ecocomunistas da Esquerda Unida 71 dos 350 deputados no Congresso e governa em coalizão em importantes cidades como Madri ou Barcelona.

Entre gritos constantes de "unidade, unidade!", Miguel Urban, líder de uma terceira corrente, anticapitalista, declarou em um discurso vigoroso no sábado que "aqui em Vistalegre não há inimigos", mas que "os inimigos estão fora de Vistalegre e são poderosos".

Nos meses que antecederam o congresso, a figura política de Igrejas se viu envolvida em uma polêmica, sendo acusado pelos apoiantes de Errejón e os anti-capitalista de concentrar muito poder dentro da organização.

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