Peru julga líder do Sendero Luminoso por atentado fatal em 1992

Lima, 14 Fev 2017 (AFP) - Abimael Guzmán, líder e fundador do grupo maoista Sendero Luminoso e condenado à prisão perpétua no Peru, enfrenta nesta terça-feira um novo julgamento, desta vez por um atentado com explosivos lançado em Lima em 1992, que deixou 25 mortos.

Um tribunal processará Guzmán, que já cumpre uma condenação por violação dos direitos humanos. Será julgado pelo crime de terrorismo.

O juiz René Martínez, que preside a Sala Penal Nacional, iniciará o julgamento em uma sala da Base Naval do Callao (oeste), em cujas celas está recluso o homem que seus seguidores chamavam devotamente de "presidente Gonzalo". O Sendero Luminoso é um grupo considerado terrorista no Peru.

Guzmán será processado junto à cúpula do grupo, entre eles a número dois do Sendero, Elena Iparraguirre (esposa de Guzmán), Óscar Ramírez Durand, Eleuterio Flores Hala, Osmán Morote Barrionuevo, Margot Liendo Gil, Victoria Cárdenas Huayta, todos detidos com penas entre 25 anos e prisão perpétua.

O julgamento será público nos primeiros minutos da entrada dos processados. Depois o juiz decidirá se os jornalistas permanecerão na sala de audiências.

- Uma noite de terror -O atentado com carro-bomba alvo do processo ocorreu na rua Tarata, no abastado distrito de Miraflores, em Lima, na noite de 16 de julho de 1992. A explosão matou 25 pessoas, deixou mais de uma centena de feridos e destruiu casas, carros e comércios.

Foi a primeira vez que um ato considerado terrorista utilizou um alvo civil.

O cenário foi de terror.

"Todos saíam com ferimentos no rosto. Todos tinham algum tipo de lesão. No trajeto também era possível ver cadáveres mutilados, pude ver cenas que realmente me faziam pensar que estávamos vivendo uma guerra", contou à Comissão da Verdade Osvaldo Cava, que encontrou seu irmão morto em um dos edifícios da região, lembra o jornal El Comercio.

- A cúpula do Sendero -A procuradoria solicita que os acusados sejam condenados à prisão perpétua e ao pagamento de 400.000 soles (122.000 dólares) como reparação civil às vítimas.

Os acusados também serão julgados pelo crime de tráfico ilícito de drogas, já que o grupo senderista é acusado de proteger as atividades de narcotraficantes a partir dos anos 80, afirma a nota.

Em janeiro, um tribunal rejeitou um pedido de Alfredo Crespo, advogado de Guzmán, de declarar nulo o julgamento por prescrição.

O advogado também argumentou que os autores diretos do crime, do qual supostamente a cúpula não teve conhecimento, já haviam sido condenados.

No entanto, a juíza Mercedes Cabello rejeitou a medida, ao lembrar que os crimes por terrorismo não prescrevem, e lembrou que o próprio Guzmán havia dito que "o atentado de Tarata foi um erro".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos