Presidente francês tenta acalmar situação após onda de violência

Aubervilliers, França, 14 Fev 2017 (AFP) - A dois meses da eleição presidencial, o presidente francês, François Hollande, e seu governo trabalham para acalmar a situação nas periferias e na arena política, após a violência urbana desencadeada pelo suposto estupro de um jovem negro em um controle policial.

"Não podemos aceitar, por causa de um drama que eu mesmo denunciei, que haja vandalismo", declarou François Hollande durante uma visita a Aubervilliers, periferia pobre ao norte de Paris.

"Também rejeito qualquer tipo de provocação, aqueles que querem dividir, que querem separar, que querem se opor, que querem quebrar o que é a vida em comum", disse o presidente após inspecionar um local de promoção do trabalho para a juventude.

Apesar dos milhões de euros investidos pelo Estado, especialmente na renovação e construção de habitações, os moradores das periferias, como de Aubervilliers, não pareciam convencidos pela visita do presidente socialista. Durante a eleição presidencial de 2012, ele havia ganhado pontos nas periferias, mas agora, muito impopular, desistiu de tentar a reeleição.

"Ele deveria ter vindo aqui antes", considera Nadia, de 50 anos, mãe de 4 filhos. "Não há nada para os nossos filhos aqui".

Nos 1.436 bairros "prioritários", a taxa de desemprego é de 26,7%, contra 10% em outros lugares, e 42% dos habitantes vivem abaixo da linha de pobreza (fixado em 11.871 euros por ano).

Carros incendiadosApesar de uma década de políticas voltadas para as áreas mais desfavorecidas, as disparidades nessas zonas e no resto do território francês estão distantes de serem superadas na França, o que levou o ex-primeiro-ministro socialista Manuel Valls a evocar um "apartheid social".

Há vários dias, alguns subúrbios desfavorecidos de Paris registraram incidentes de violência, com carros incendiados e pedras lançadas contra a polícia. Pelo menos 25 pessoas foram detidas na noite de segunda para terça-feira.

Estes incidentes acontecem após a detenção violenta, em 2 de fevereiro, pela polícia de Théo, um jovem de 22 anos, durante uma verificação de identidade. O jovem negro, que diz ter sido violentado por um policial com um cassetete, teve de ser operado e segue hospitalizado.

O caso ganhou um novo capítulo nesta terça-feira com o depoimento de um amigo do jovem, afirmando que havia sido agredido por um dos policiais envolvidos no incidente com Théo uma semana antes. O ministro do Interior Bruno Le Roux acionou a polícia dos policiais.

O caso prejudicou ainda mais as relações já conflituosas entre os jovens e a polícia nos bairros sensíveis, onde vivem muitos jovens migrantes e onde a polícia é muitas vezes encarada como uma força hostil.

Esta questão já esteve no centro de graves distúrbios em 2005, após a morte de dois adolescentes eletrocutados em um transformador, onde tentaram se esconder da polícia.

O governo agora teme um aumento da violência nos subúrbios desfavorecidos.

'Viver juntos'"É necessário que a justiça seja feita", insistiu François Hollande nesta terça-feira. "É muito importante mostrar que somos capazes de viver juntos em uma sociedade pacífica, mas onde o respeito é a regra e temos de ser firmes em relação àqueles que se desviam desse princípio", ressaltou.

Le Roux, em visita a outras cidades periféricas, considerou que "aqueles que se manifestam vandalizando não contribuem para a causa daqueles que querem justiça". "Não é um caso que nós iremos esquecer", garantiu a várias mães de família.

O governo tem sido muito criticado pela extrema-direita, cuja candidata presidencial Marine Le Pen lidera as pesquisas para o primeiro turno, em 23 de abril, e que sempre fez da segurança seu cavalo de batalha.

"O governo se fecha em um silêncio que reflete tanto sua covardia quanto sua impotência", acusou Le Pen, que lançou uma petição para apoiar a polícia.

Por sua vez, o candidato centrista Emmanuel Macron considerou que a política nas periferias "não se resolve com barricadas" e pediu "um verdadeiro investimento do Estado".

O primeiro-ministro socialista Bernard Cazeneuve defendeu, por sua vez, o legado do governo. "Não fomos nós que suprimimos 13.000 postos de policiais e gendarmes, nós criamos 9.000", disse ele, em um ataque contra o governo de direita de Nicolas Sarkozy (2007-2012).

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