Vice-presidente venezuelano denomina sanção dos EUA de 'agressão infame'

Caracas, 14 Fev 2017 (AFP) - O vice-presidente da Venezuela, Tarek El Aissami, rejeitou nesta terça-feira as sanções dos Estados Unidos aplicadas contra ele por tráfico de drogas, classificando-as de "agressão miserável e infame", pondo fim à trégua que o governo de Nicolás Maduro deu ao presidente americano, Donald Trump.

"Pessoalmente, recebo esta miserável e infame agressão como um reconhecimento da minha condição de revolucionário anti-imperialista. VENCEREMOS", escreveu El Aissami na rede social Twitter, respondendo ao anúncio do congelamento dos bens que possa ter em território americano. O empresário Samark José Lopez Bello também é alvo de sanções similares.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos acusa o vice-presidente de facilitar, proteger e monitorar carregamentos de drogas da Venezuela com destino ao México e Estados Unidos, enquanto era ministro do Interior (2008-2012) e governador do estado de Aragua (2012-2017).

López Bello, de acordo com versões apresentadas à imprensa pelo sócio de El Aissami, foi incluído nas sanções, que proíbem qualquer cidadão americano ou empresa de fazer negócios com qualquer um dos listados e 13 empresas.

Mas o vice-presidente considera que a medida é um ataque contra o governo do presidente Nicolás Maduro, cuja popularidade está abalada por uma grave crise, com escassez aguda de alimentos e medicamentos e uma inflação projetada pelo FMI em 1.660% para 2017.

"Essas provocações miseráveis não devem nos distrair da nossa principal tarefa, que é acompanhar @NicolasMaduro na recuperação econômica", acrescentou El Aissami.

Compasso de esperaAté agora, Maduro tinha voltado suas baterias contra Barack Obama, cujo governo declarou a Venezuela uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos e decretou sanções contra sete funcionários venezuelanos, os quais são impedidos de voltar àquele país.

Mas Maduro tem tratado com cautela o governo Trump, de quem chegou a dizer ser vítima de uma "campanha de ódio". Maduro decidiu que devia entrar em compasso de espera.

Trump, por sua vez, referiu-se tangencialmente à Venezuela em sua campanha eleitoral, advertindo que se não fosse eleito, a Suprema Corte poderia transformar os Estados Unidos em algo parecido ao país sul-americano.

Mas, segundo a Casa Branca, na segunda-feira expressou ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, sua preocupação com a crise venezuelana durante um telefonema.

O secretário-executivo da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, advertiu que o caso El Aissami "poderia comprometer as relações" com "o único país que paga 'cash' à Venezuela pelo petróleo".

"Agora dirão que o Departamento do Tesouro os plantou (produziu provas falsas), como eles plantam os opositores para fazê-los apodrecer nas prisões do regime", afirmou o ex-presidente do Parlamento, o opositor Henry Ramos.

Lista negraEl Aissami, um advogado de 42 anos, foi nomeado vice-presidente em 4 de janeiro, após uma ascensão meteórica nas fileiras do chavismo - onde começou como líder estudantil -, e uma notória presença midiática no último ano, sempre ao lado de Maduro.

O presidente lhe passou várias de suas atribuições, entre elas expropriar bens e nomear vice-ministros, e o nomeou chefe do chamado "comando antigolpe", responsável pela recente detenção de meia dúzia de adversários do governo.

Mas as autoridades americanas apontaram que as sanções "são o resultado de anos de investigação" e não estão vinculadas à nomeação de El Aissami à vice-presidência.

Segundo o Departamento do Tesouro, El Aissami teria recebido pagamentos do narcotraficante venezuelano Walid Makled, e teria ligações com o violento cartel mexicano Los Zetas.

Washington já tinha acusado outros funcionários venezuelanos de tráfico de drogas.

O ministro do Interior, Nestor Reverol, ex-diretor do Escritório Nacional Antidrogas (ONA), foi acusado em agosto de 2016 por um tribunal federal de Nova York por supostamente receber pagamentos de traficantes de drogas.

Em maio de 2015, o jornal The Wall Street Journal informou que as autoridades americanas também estavam investigando Diosdado Cabello, um dos mais poderosos líderes do chavismo, por supostas ligações com o tráfico de drogas.

No fim do ano passado, dois sobrinhos da primeira-dama, Cilia Flores, foram condenados por narcotráfico.

Diante de todas estas acusações, Maduro assegurou que são "ataques do imperialismo" para desestabilizar a "revolução bolivariana", fundada pelo falecido líder Hugo Chávez (1999-2013).

O deputado governista Pedro Carreño declarou à AFP que os Estados Unidos buscam, com a acusação contra El Aissami, "uma vez mais satanizar, estigmatizar e criminalizar a revolução", enquanto acusou o país de proteger suas estruturas do narcotráfico.

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