Casa Branca tenta proteger Trump de controvérsia com Rússia

Washington, 15 Fev 2017 (AFP) - A Casa Branca se esforçava nesta quarta-feira (15) para conter a crise depois da renúncia do chefe do Conselho de Segurança Nacional, enquanto Moscou negou taxativamente as informações sobre contatos entre a equipe de campanha de Donald Trump e seus serviços secretos.

Em entrevista coletiva com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Trump aproveitou para denunciar os reiterados vazamentos que alimentam a imprensa e que contribuíram para a saída de Michael Flynn do governo.

Flynn "foi tratado injustamente pela imprensa", reclamou Trump, que teria pedido a Flynn que renunciasse.

Trump também considerou como "atos criminosos" os vazamentos para os jornais de informação de Inteligência.

Seu governo viveu na terça-feira a primeira grande crise com a renúncia de seu conselheiro de Segurança Nacional, em meio às notícias sobre os contatos com agentes russos.

O general da reserva Michael Flynn renunciou ao cargo na segunda à noite, após a crise provocada por suas polêmicas conversas em dezembro com o embaixador russo em Washington.

O jornal The New York Times informou que a Inteligência americana interceptou ligações telefônicas que revelavam que integrantes da campanha de Trump mantiveram reiterados contatos com altos funcionários da Inteligência russa antes da eleição de novembro.

As agências de Inteligência dos Estados Unidos concluíram que a Rússia interveio no processo eleitoral com o objetivo de ajudar na vitória de Trump.

Agora, os agentes tentam determinar se a equipe de campanha de Trump cooperou com Moscou para perturbar a campanha da democrata Hillary Clinton, reportou o NYT.

Citando funcionários americanos atuais e da reserva, o jornal disse que ainda não apareceram evidências nesse sentido.

O ex-conselheiro de Trump Paul Manafort - um dos membros da campanha que tiveram suas conversas ouvidas - reagiu, afirmando que essas alegações são "absurdas".

Trump negou essa conexão com a Rússia em uma série de posts furiosos no Twitter.

"Esse absurdo sem sentido de uma conexão russa é apenas uma tentativa de encobrir os muitos erros cometidos na campanha perdedora de Hillary Clinton", afirmou.

Trump criticou duramente os meios de comunicação, ao mesmo tempo em que elogiou a cadeia de notícias conservadora Fox.

"Os falsos meios de comunicação estão ficando loucos com suas teorias conspiratórias e ódio cego. @MSNBC & @CNN não dá para ver. @foxandfriends é maravilhosa!", tuitou.

Trump também acusou os serviços de Inteligência de vazar informações, apontando o dedo contra a Agência de Segurança Nacional (NSA) e o FBI, a Polícia Federal Americana.

"Estão proporcionando informações ilegais aos doentes @nytimes & @washingtonpost pela comunidade de Inteligência (NSA e FBI)? Igual a Rússia", tuitou.

Também lançou uma dura crítica a seu antecessor democrata Barack Obama, ao indicar que a "Crimeia foi TOMADA pela Rússia durante a administração. Obama foi muito brando com a Rússia?".

Já a Rússia classificou como "propaganda" as informações do jornal The New York Times.

"Não acreditem nas informações da imprensa, é muito difícil neste momento diferenciá-las da propaganda e das falsas notícias", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante uma coletiva de imprensa.

Peskov, que insistiu em que as fontes citadas pelo jornal não foram identificadas, afirmou que "talvez tenha chegado o momento de que alguém fale disso tudo com o rosto descoberto".

- Trump alertadoA Casa Branca admitiu na terça-feira que Trump foi informado há três semanas de que Flynn poderia ter induzido seus superiores ao erro sobre seus contatos com o Kremlin.

O ex-general três estrelas e ex-diretor de Inteligência da Defesa dos Estados Unidos negou inicialmente ter discutido estratégias de sanções com o embaixador russo Serguey Kislyak antes que Trump assumisse o governo, algo que teria violado a legislação americana sobre a negociação com potências estrangeiras.

Flynn renunciou na segunda-feira, depois que a Casa Branca disse que uma investigação interna não havia demonstrado nenhum crime, e sim uma confiança "erodida".

É o terceiro membro da equipe Trump a dar um passo para trás diante de questionamentos sobre seus vínculos com a Rússia desde que o magnata começou sua corrida rumo à Casa Branca.

Sua partida segue a de Manafort e a de Carter Page, um assessor em política externa dos primeiros tempos do candidato.

No entanto, Flynn é o primeiro funcionário da nova Casa Branca a receber um pedido expeditivo de renúncia após a polêmica.

O porta-voz presidencial, Sean Spicer, negou enfaticamente que Trump tivesse instruído Flynn a discutir com Moscou uma eventual reversão das sanções que Obama impôs à Rússia.

- Relatórios incompletosA Casa Branca considerou que a decisão de Trump de revogar Flynn foi baseada na atitude do funcionário em relação ao vice-presidente Mike Pence, a quem teria enganado. Na terça-feira, foi divulgado que o presidente também manteve Pence nas sombras por duas semanas.

O porta-voz do vice-presidente, Marc Lotter, comentou que Pence soube do assunto pela imprensa.

A renúncia rápida e sem precedentes de um funcionário de alto escalão chave da Casa Branca abalou um governo já atingido por vazamentos, batalhas internas e fracassos legais.

O ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, planeja se reunir com seu colega americano, Rex Tillerson, pela primeira vez na quinta-feira em Bonn, Alemanha, onde ambos participarão da cúpula ministerial do G20.

Nesta quarta-feira, o Pentágono informou que os chefes do Estado-Maior dos Estados Unidos e da Rússia, os generais Joe Dunford e Valery Gerasimov, vão-se encontrar na quinta-feira em Baku, Azerbaijão.

"Vão discutir uma série de assuntos, incluindo o estado atual das relações militares e a importância das comunicações diretas claras para evitar mal-entendidos e potenciais crises", divulgou o Departamento da Defesa.

O Pentágono ressaltou, porém, que as autoridades americanas não pretendem atribuir significado político ao encontro.

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