Otan continua sendo 'pedra fundamental' para EUA, diz chefe do Pentágono

Bruxelas, 15 Fev 2017 (AFP) - A Otan continua a ser uma fundamental para os Estados Unidos do presidente Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira o novo chefe do Pentágono, James Mattis, durante sua primeira visita à sede da Aliança Atlântica em Bruxelas.

Após as críticas de Trump sobre a Otan, esta visita de um de seus secretários era esperada pelos parceiros europeus, a fim de apaziguar as tensões.

A visita coincide com a primeira deserção no novo governo americano, após a renuncia de seu conselheiro de Segurança Nacional, Michael Flynn, acusado de mentir sobre seus contatos com a Rússia.

"A Aliança continua a ser uma pedra angular para os Estados Unidos e para toda a comunidade transatlântica, ligados como estamos uns aos outros", garantiu o secretário de Defesa dos Estados Unidos ao lado do chefe da Otan, Jens Stoltenberg.

Ex-chefe militar da Otan, o general Mattis falou da Aliança como a sua "segunda casa". Até quinta-feira, o americano participará de uma reunião de ministros da Defesa da Otan antes de viajar à Alemanha.

"Como o presidente Trump expressou, ele apoia fortemente a Otan", acrescentou o general reformado do corpo de 'Marines', que entre 2007 e 2009 foi um dos principais chefes militares da Otan, que esteve à frente do Comando Supremo de Transformação.

Os aliados estão preocupados com o compromisso de Washington com a Aliança, já que, antes de assumir o cargo, Trump classificou a organização de "obsoleta", especialmente por sua falta de atuação na luta contra o terrorismo, e questionou seu compromisso de ajuda mútua a seus aliados transatlânticos caso eles não aumentem seu gasto na Defesa.

Mattis enfatizou que, em sua primeira reunião "quer ouvir seus colegas, ter uma conversa aberta entre amigos e aliados".

"Estou absolutamente convencido de que a mensagem que sairá desta reunião será a da unidade transatlântica, a da importância de se unir e se proteger mutuamente", afirmou.

Uma sessão de trabalho será centrada nesta quarta à tarde sobre a criação na sede militar de Nápoles (Itália) de um centro dedicado à coleta de informações sobre as zonas consideradas mais ameaçadas pelo terrorismo.

- Pedido justo - Este "hub para o Sul", na terminologia da Otan, "vai nos ajudar a coordenar as informações sobre as crises e países como a Líbia ou Iraque", onde atuam grupos extremistas, afirmou Stoltenberg.

Outra questão prioritária no momento, o nível de gastos militares dos aliados europeus, considerado insuficiente em Washington. Neste sentido, o chefe da Otan tomou a dianteira ao anunciar na terça-feira um aumento de quase 4% desses gastos em 2016 "dos aliados europeus e do Canadá".

Uma maneira de responder às preocupações expressas sobre a questão da "partilha do fardo" evocada por Donald Trump durante sua campanha pela presidência e em suas primeiras semanas no cargo.

"Este é um pedido justo para que todos aqueles que beneficiam da melhor defesa do mundo assegurem de forma proporcional o pagamento dos custos de defender a liberdade", argumentou James Mattis.

Atualmente, apenas cinco dos 28 países membros da Otan (Estados Unidos, Grécia, Reino Unido, Estônia, Polônia) gastam ao menos 2% do seu produto interno bruto em defesa, o piso definido pela Aliança em 2014 e que ela pede a todos que respeitem em 2024.

Mas alguns países, como a França e a Alemanha exigem flexibilidade, com destaque para o peso que já têm em suas contas públicas as operações externas realizadas na África, por exemplo.

Durante a reunião em Bruxelas, os países membros da Otan devem informar o seu nível de envolvimento nos quatro batalhões multinacionais que estão sendo implantados na Polônia e nos três países bálticos, nas portas de uma Rússia considerada uma ameaça desde o conflito ucraniano em 2014.

A Rússia, que nega qualquer ambição territorial, acusa a Otan de querer cercar-la.

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