Ao menos 52 mortos em atentado do EI em Bagdá

Bagdá, 16 Fev 2017 (AFP) - Ao menos 52 pessoas morreram e várias dezenas ficaram feridas nesta quinta-feira em um atentado com carro-bomba em Bagdá, o mais sangrento na capital iraquiana desde o início do ano.

Este atentado, o terceiro em três dias em Bagdá, foi reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), alvo de uma ofensiva das forças iraquianas que tentam expulsá-lo de Mossul, seu último reduto no país.

A explosão ocorreu em uma área de concessionárias de carros no distrito de Bayaa, no sul de Bagdá, onde na terça-feira quatro pessoas morreram em outro atentado com carro-bomba, informou à AFP um funcionário do Ministério do Interior.

No lugar do ataque podia-se ver dezenas de carros queimados e poças de sangue no chão.

"Um ataque terrorista com carro-bomba foi cometido próximo à zona de concessionárias de carros em Bayaa", informou em um comunicado o porta-voz do comando militar encarregado da capital iraquiana.

Um funcionário do Ministério do Interior deu um balanço de 52 mortos e mais de 50 feridos, informação confirmada por fontes médicas.

"Há muitas vítimas", lamentou Naser, um jovem que estava próximo ao local do atentado e ajudou os feridos.

"Havia alguém lá, nós ajudamos", contou mostrando um local atrás dele. "Encontramos uma mão aqui, uma perna e um coração ali", continuou.

O lugar do ataque é um espaço onde costuma-se organizar um mercado de carros no qual comparecem centenas de pessoas.

"Sempre há duas ou três pessoas ao redor de cada carro" neste mercado, explicou Naser.

Capacidade de ataqueO grupo extremista Estado Islâmico reivindicou o ataque dizendo que foi dirigido contra "uma congregação de xiitas", em um comunicado divulgado por sua agência de propaganda Amaq.

No dia anterior, reivindicou outro atentado suicida com carro-bomba que matou 11 pessoas no bairro de Habibiya, povoado principalmente por xiitas.

A organização extremista sunita considera os xiitas, em maioria no Iraque, como hereges.

Apesar dos reveses nos últimos meses e a perda de terreno no Iraque e na Síria, o grupo extremista ainda consegue cometer sangrentos atentados.

Desde o lançamento, em 17 de outubro, da ofensiva das forças iraquianas para recuperar Mossul, segunda cidade do país, o número de ataques do EI em Bagdá aumentou.

Com o apoio da coalizão anti-extremista internacional liderada pelos Estados Unidos, as forças iraquianas recuperaram em janeiro a parte leste de Mossul, onde encontraram forte resistência dos combatentes do EI.

Agora se preparam para lançar uma ofensiva para recuperar o controle da parte oeste, do outro lado do rio Tigre, mais densamente povoada.

O EI se apoderou em junho de 2014 de extensas zonas do território iraquiano.

A organização extremista não é o único front aberto para as autoridades iraquianas, imersas em uma crise política.

O governo enfrenta desde 2015 um movimento impulsionado principalmente por simpatizantes do influente clérigo xiita Moqtada Al-Sadr. Ele reclama por melhorias dos serviços públicos e reformas, além de acusar políticos de corrupção e nepotismo.

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