Presidente sírio diz que Raqa não é prioridade na luta antiterrorista

Paris, 16 Fev 2017 (AFP) - O presidente sírio, Bashar al-Assad, considerou que Raqa, reduto da organização Estado Islâmico (EI), não é um objetivo prioritário e reafirmou que deseja retomar o controle de todo o território, em uma entrevista divulgada nesta quinta-feira em meios de comunicação franceses.

Questionado pela rádio Europe 1 e pelas redes de televisão TF1 e LCI sobre se Raqa, onde os ataques terroristas que atingiram a França supostamente foram preparados, é um "objetivo prioritário", respondeu: "Não, e reitero que estes ataques não foram necessariamente preparados em Raqa. Raqa é apenas um símbolo do Daesh" (acrônimo do EI).

"Há uma presença do Daesh perto de Damasco. Estão por toda parte. Neste momento, estão em Palmira e na zona leste da Síria. Então, não, não se trata apenas de Raqa. As prioridades estão por toda parte", prosseguiu Bashar al-Assad nesta entrevista realizada em inglês na terça-feira em Damasco.

"E isto depende da evolução dos combates. Mas, para nós, tudo conta: Raqa, Palmira, Idleb, tudo conta!", insistiu, reafirmando que "cabe ao governo retomar o controle de todo o território".

Raqa, "capital" autoproclamada dos extremistas, é o próximo objetivo da coalizão militar internacional liderada pelos Estados Unidos. Uma aliança curdo-árabe, apoiada pela coalizão, as Forças Democráticas Sírias, começou a ofensiva avançando rumo à cidade a partir do norte.

Por sua vez, o presidente sírio desmentiu de forma categórica que seu regime pratique a tortura e rejeitou as acusações recentes da Anistia Internacional sobre as execuções e atrocidades realizadas em uma prisão perto de Damasco. Segundo esta ONG, o regime enforcou 13.000 pessoas entre 2011 e 2015 na prisão de Saydnaya.

Com o título "Matadouro humano: enforcamentos e extermínio em massa na prisão de Saydnaya", o relatório da ONG se baseia em entrevistas com 84 testemunhas, incluindo guardas, detentos e juízes.

"Temos todas as informações que precisamos. Não recorremos à tortura. Não forma parte de nossa política", afirmou, embora o regime tenha sido denunciado em múltiplas ocasiões por casos de torturas e execuções arbitrárias nas prisões ou nos centros dos serviços de inteligência.

"Se tivéssemos cometido estas atrocidades, a qualquer momento do conflito, não contaríamos com o apoio popular que temos após seis anos", acrescentou Assad.

Em relação às negociações internacionais sobre a Síria para colocar fim a um conflito que já deixou mais de 300.000 mortos, o presidente estimou que os países ocidentais "se isolaram" ao apoiar "grupos que representam o terrorismo contra o governo".

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